O Movimento Tradicionalista Gaúcho e a escola

O tradicionalismo gaúcho é hoje considerado por seus membros como o maior movimento cultural popular das Américas. Esta informação é veiculada nos discursos das sessões solenes que pontuam a abertura e o encerramento da maior parte de suas atividades, bem como por políticos e demais autoridades.

O gauchismo, em suas mais variadas expressões, movimenta milhares de pessoas em suas datas comemorativas e em suas inúmeras atividades.

Por gauchismo é preciso compreender diversas manifestações culturais que têm o gaúcho como ponto de referência e que jogam sobre essas representações, exprimindo um sentimento de pertencimento. Sua diferença com as outras dimensões do regionalismo é que o gauchismo não quer estudar ou escrever sobre o gaúcho. Ele pretende oferecer um culto às tradições por “encarnação” de uma imagem do gaúcho.
O movimento tradicionalista gaúcho ou apenas tradicionalismo, como manifestação do gauchismo, pode ser entendido como um conjunto de atividades organizadas e regulamentadas que objetiva celebrar a figura do gaúcho e seu modo de vida em um passado relativamente distante, tal como os participantes e, sobretudo, os pesquisadores (tradicionalistas) do movimento o percebem e o definem em seus escritos.

Outros aspectos da cultura regional como a culinária, as vestimentas e a utilização de inúmeros símbolos, passando por elementos do folclore como as danças tradicionais recriadas nos espaços dos CTGs e nos concursos tradicionalistas, também são utilizadas.

Nesta perspectiva, é necessário perceber os processos educacionais e pedagógicos do tradicionalismo que visam a formação dos jovens tradicionalistas e de suas famílias no seio dos CTGs. Isto se dá através do tornar-se tradicionalista (participação nas atividades do CTG), cursos promovidos pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e demais instâncias tradicionalistas, além de sua inserção nas escolas, estabelecendo um novo território tradicionalista e possível reprodutor de sua filosofia e modelos comportamentais.

Na escola, o ensinar os alunos a viver as tradições do Rio Grande, de acordo com as representações percebidas, passa por uma necessidade de formação dos valores e do conhecimento da história e costumes do Rio Grande do Sul, na perspectiva de uma valorização do civismo, ao viver as tradições. “Ao se envolver com o tradicionalismo, uma atividade saudável, o aluno não se envolve com o que não deve se envolver”.

Mas, ao encerrar a minha análise, devo dizer que os governos – estadual e municipais – deveriam colocar a matéria “Estudo do Tradicionalismo Gaúcho” como obrigatória, pelo menos em um ano do ensino fundamental e um ano do ensino médio, pois assim estariam valorizando cada vez mais o culto às nossas mais caras tradições e incentivando a prática do gauchismo.

Vou aqui deixar um convite para os leitores. Neste sábado (9), o CTG Raízes do Sul, na avenida Cidade de Lisbôa, 610, estará promovendo um jantar com apresentação de invernadas de danças e uma bailanta. Mais informações com a patroa Kátia Maciel pelo telefone (53) 98434-5665.

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