O direito de ter o choro frouxo…

Manoel Jesus, educador. (Foto: Divulgação)

O que tem em comum uma aula de catequese dada pelo Papa Fran­cisco; a garota cega, acompanhada por um estádio inteiro quando se preparava para fazer uma cesta no basquete; o tenista que promete não se aposentar antes de enfrentar seu entrevistador e a caminhada para colher a erva da macela, nas pedreiras de Capão do Leão? Além das redes sociais, hoje, se acompanha em vídeos “shorts” (curtos, de peque­na duração) muitas coisas “fofas” em música, dança, humor, relações familiares e de amizade.

Que Francisco tem sido uma agradável surpresa, isto não é novidade. Desde o primeiro momento, como pastor da Igreja Católica, deu sinais de que quebraria protocolos. O que não se esperava é que, aos 87 anos, ainda fosse capaz de, usando uma cadeira de rodas, dirigir-se a uma sala de catequese com mais de 200 crianças e incentivá-las a viver 2024 como o Ano de Oração. Uma atitude profundamente inspiradora. Mais do que foi escrito e discursado, o que Francisco deseja é que sua Igreja viva “em saída”.

Quem gosta de vídeos curtos, viu, recentemente, um estádio inteiro acompanhar, no mais absoluto silêncio, quando uma menina cega se preparou para tentar uma cesta no basquete. Direcionada pela treinadora, que batia com uma vara na altura do ponto, permitindo orientar-se pela audição. Preparação, dedos cruzados, aflição no rosto, suor no canto dos olhos… E lá foi ela. A bola correu pela beirada do aro e caiu pela rede até o chão. O estádio veio abaixo na demonstração da garra humana e a beleza da inclusão.

Em uma destas entrevistas das quais participam crianças, uma delas pediu ao ídolo do tênis que não se aposentasse sem enfrentá-lo. A pro­messa foi aceita e o tempo passou… Não para o sênior, que providenciou encontro surpresa com o agora rapaz que continuava buscando um espaço neste seleto mundo dos esportes. Foi recebido na quadra pelo profissional veterano, que contou para a assistência que tinha empenhado a palavra, sendo grato pelo carinho do fã, em especial em poder realizar seu sonho.

Lion Runners (os Leões Corredores) é o grupo que o escritor Jairo Costa mantém. Pelo WhatsApp, trocam informações, mensagens, mas, especialmente, preparam e avaliam as trilhas feitas no Cerro do Estado, para todas as idades e preparação física (não te cansa de esperar, ainda vou participar um dia…). Há pouco tempo, colheram o chá da macela, na Semana Santa. Destacaram o companheirismo, a colaboração, o cuidado com o meio ambiente e o incentivo para os principiantes e os que tem mais dificuldades.

Contem dez desgraças, que eu conto histórias em que o Mundo tem jeito… Infelizmente, ainda somos uma sociedade com resquícios do machismo, em que as sensibilidades são desprezadas. Emociona que um idoso deseje ser útil; uma torcida silencie e acarinhe; alguém espere para dar alegria a outrem; numa trilha, se aprenda a interdependência. Mesmo de longe, é bom sentir que faço parte de uma sociedade ainda capaz de ser bondosa, perseverante e não desistir da superação. Coloco uma toalhinha ao lado para certos casos, afinal, numa certa idade, já tenho todo o direito de ter o choro frouxo…

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