Inflação, falecimento e plebiscito

Sérgio Corrêa.

Inflação

Cada mês em que o calendário avança na direção do final de 2021 percebe-
se que os indicadores de inflação, apresentados pelo Ministério da Economia ou por instituições de pesquisa que atuam com dados econômicos, não correspondem à realidade dos preços nas gôndolas dos supermercados.

Falando em primeira pessoa trago minha opinião sobre o assunto. Opinião de quem vive no Brasil e vai ao supermercado, ao açougue, à feira livre, à farmácia e ao posto de combustíveis, assim como outros locais que ofertam produtos e serviços que atendem nossas necessidades básicas. Nesses locais, a realidade dos preços é outra! Um pacote de bolachas com 300 gramas, em março de 2020 custava R$4,00, hoje custa R$7,00. O botijão de gás passa dos R$ 100! E a gasolina nem se fala!

O auxilio emergencial foi uma ação governamental importante, reduzindo os impactos da fome no período da pandemia. Contudo, o cenário sobre inflação, apresentado pelo governo, não retrata a realidade sobre aumento de preços. A inflação devora ferozmente os valores do auxílio emergencial e o salário dos aposentados, além de devorar o que resta dos momentos de felicidade, como o passeio, o churrasco de final de semana e outros momentos que são suspiros de vida de grande parte da população.

Para outra parcela da população, a renda ainda comporta o pagamento da escola particular dos filhos, o plano de saúde, a empresa de alarme, o IPVA, o IPTU e todas as indecências impostas aos que realmente pagam a conta.

Em meio a tudo isso, muitos estão rolando escada abaixo, ou melhor, “pirâmide abaixo”, que são pessoas que têm renda entre 2 e 5 salários e estão sentindo no bolso o achatamento do salário, que traz como sequela a perda do poder de compra. Sabe onde estes sintomas se manifestam? No supermercado.

Pergunta

Com o objetivo de provocar uma reflexão sobre o momento atual, esse colunista resolveu fazer a você leitor(a) brasileiro(a) a seguinte pergunta: qual momento, período ou década da sua vida você gostaria que voltasse, para viver novamente?

Caso você tenha encontrado, em meio às lembranças do passado, esse momento maravilhoso, seja ele qual for, você está de parabéns! Porém, se você acredita que o melhor momento é o atual, muito cuidado! Isso pode ser um alerta.

Salvo alguns brasileiros que acumulam mais de 100 anos de vida, a maioria nunca viveu uma pandemia, situação que impôs severa participação coletiva no combate ao Coronavírus.

Essa situação, somada à divisão político-ideológica, junto com os milhões de desempregados, de famintos, de pessoas que aguardam por procedimentos pelo SUS, sobrecarga de trabalho dos profissionais da saúde, o aumento da violência contra pessoas pobres, negras, LGBTQIA+, mulheres e crianças, não permite que alguém em plena sanidade mental eleja o momento atual como um bom momento.

Em meio a toda essa tempestade, alguns acreditam que a melhor opção é comprar uma arma de fogo para se defender de tudo e de todos. Estamos mergulhando no modelo ideológico estadunidense, onde os direitos do indivíduo tentam se sobrepor a todos os outros direitos, inclusive do coletivo. As piores desavenças são aquelas nascidas da ignorância e os políticos aproveitam-se disso para fomentar a divisão.

Falecimento

Faleceu, de causas naturais, na última quinta-feira (14), aos 107 anos e alguns meses, um cidadão da Zona Sul. Tito Madeira nasceu em Piratini, mas ainda jovem veio morar em Pelotas onde se tornou conhecido como jogador do Grêmio Atlético Farroupilha – conhecido como Tricolor do Fragata, Farroupilha, Farrapo ou Fantasma.

Tito Madeira foi campeão gaúcho pelo Farroupilha em 1935, título denominado “Campeão por 100 anos”. Ao deixar a carreira de jogador, trabalhou em outras atividades. Ano passado visitei “Seu Tito” na Cohabpel, em Pelotas, onde residia e recebia todos os cuidados da filha, ou melhor, super filha, Malú Madeira, que, nos últimos anos, principalmente durante a pandemia, cuidou do pai como quem cuida de um diamante único.

O futebol, o carnaval, a família, os amigos e a história perdem um homem que aprendeu o segredo da longevidade: família, amor, amizade, simplicidade e um sorriso sempre no rosto.

Plebiscito

A constituição estadual previa a obrigatoriedade de plebiscito, outorgando ao povo gaúcho a decisão sobre privatizações de empresas públicas estaduais. A soberania dada aos gaúchos pela constituição estadual foi literalmente atropelada pelo projeto de lei apresentado pelo Governador Eduardo Leite e, sepultada pelos deputados estaduais que aprovaram retirando do povo o direito de escolha dos destinos das empresas públicas.

Coordenado pelo ex-vereador Marcus Cunha, com o objetivo de conhecer a posição dos moradores da Zona Sul, um plebiscito moral, digamos assim, vai acontecer. O palco será o calçadão de Pelotas, local em que as urnas estarão à disposição de 16 a 24 de outubro, a todos que quiserem se manifestar sobre o tema privatizações das empresas públicas.

 

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