Homenagem a um amigo

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

Dedico esta homenagem a Geraldo Redin Camejo, também conhecido como “Gelo”. Funcionário da Embrapa, um amigo que todos os dias, cedo da manhã, quando o sol estava nascendo, enviava uma mensagem positiva para o celular que utilizo no programa que apresento na rádio Tupanci.

Uma amizade construída há 45 verões ou invernos, um amigo, um irmão, um torcedor de corpo e alma xavante, tal era a paixão pelo Grêmio Esportivo Brasil.

A CORDA DA VIDA
No útero materno estamos ligados à nossa mãe pelo cordão umbilical, que nos alimenta, nos mantem vivos. Um vínculo de amor entre dois seres que ainda não se conhecem.
Ao nascermos este cordão umbilical continua a existir de forma simbólica, e vamos chamá-lo de corda da vida. Uma corda que vai sendo tecida a cada dia, mês e ano durante toda a nossa vida.

Essa corda da vida é constituída de laços e nós, que são os nossos amigos, nossos familiares, pessoas que amamos. Alguns dos nós são mais apertados que chegam às nossas entranhas, aos nossos mais profundos sentimentos. Outros mais frouxos, uma amizade solta, leve, sem o compromisso de confiar determinados assuntos, porém, amigos!

Esses nós são os pontos de conexão com nosso passado. Sem os nós, é difícil visitar momentos vividos há 30, 40 ou 50 anos. Os nós relembram amizades, fatos e momentos vividos com amigos, são a conexão do eu de hoje com o eu do passado, de quem fui, com quem me transformei.

Toda vez que um nó se desfaz perdemos parte da referência de nossa história, pois falta alguém para ajudar a contar detalhes dos momentos vividos. É como se estivéssemos voltando num caminho já trilhado, porém escuro, sem referências de onde estamos.
O Gelo completou 58 anos de idade dia 11 e nos deixou em 29 do mesmo mês de novembro de 2023. Um nó feito entre pessoas que nasceram e pertencem a mesma geração.

Um nó que ajustava o amor em todos os sentidos, o amor pelo trabalho e por seus colegas de Embrapa, amor pelo Grêmio Esportivo Brasil, pela polêmica, nas discussões sobre futebol, amor pela família, pelos amigos e por todos que com ele cruzassem nos “Bailes da Vida” (Milton Nascimento).

Deus me presenteou com um encontro, um abraço e um bom papo com o Geraldo durante o evento de inauguração do Armazém do Campo, cinco dias antes de sua partida, e ainda tive a oportunidade de apresentá-lo a minha filha.

Geraldo Redin Camejo, foste um dos nós da minha corda da vida e agradeço por isso! Dedico meus sentimentos a família e encerro com a mensagem que recebi do Geraldo às 5:56 da manhã no dia da sua partida.

Bom dia, “Eu vivo para que a justiça social venha antes da Caridade” (Paulo Freire).

1 comentário

  1. Vale a pena lembrar isso no natal
    Um Brasil mais justo não virá no trenó puxado a renas do papai noel
    qdo dom Hélder Câmara fazia caridade o chamavam de santo
    qdo questionava as raízes da miséria o chamavam de comunista

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