Guerra e ecologia: um roteiro de omissões

Manoel Jesus, educador. (Foto: Divulgação)

O que se pensou ser um pesadelo, infelizmente, se transforma em realidade: o sonho de paz de homens e mulheres de boa-vontade é destruído por mãos que potencializam a morte. Recentes episódios na guerra da Ucrânia e a realização da Conferência do Clima, no Egito, são a demonstração da incapacidade de alguns seres humanos para o convívio social. As provocações demonstram o perigo que é andar na fronteira da sanidade, com a possibilidade de que Rússia e Estados Unidos usem seus arsenais nucleares.

O encontro de preservacionistas – delegados dos países signatários da Convenção, que têm poder de voto; jornalistas e organizações não governamentais (ONGs) – precisa ser mais do que “turismo ecológico e político” para se transformar numa freada, já que sinais de alerta foram dados pela Natureza há um bom tempo, e se tem a oportunidade de que ações levem o mundo a conter o impacto das mudanças climáticas a um aumento de, no máximo, 1,5 graus centígrados na temperatura média da Terra.

Quem assistiu a filmes em que se mostra a devastação de áreas atingidas pelo impacto nuclear tem ideia dos efeitos de curto prazo, em áreas possíveis de serem delimitadas. Mas, a médio e longo prazo, todo o planeta irá sofrer naquilo que foi simbolizado por céus enegrecidos pela radioatividade, abandono das estruturas urbanas, formação de escombros, diminuição na produção industrial e agrícola. A consequência será a falta de serviços e uma multidão de famintos e esfarrapados perambulado desnorteados.

O ufanismo do século XX precisa dar lugar ao alerta. Pensar que os recursos do planeta são inesgotáveis é falácia. Embora a pompa política que envolve a Conferência Climática, um dado é fundamental: definir as capacidades e os limites do mundo e da sociedade para se adaptar às mudanças. Elas são fato e discutir é perda de tempo, atrasar medidas que já deveriam ter sido tomadas. Não é somente por nós, hoje, mas pensando nas gerações futuras, que não podem ser responsabilizadas por nossos erros.

A perspectiva é catastrófica quando se junta no mesmo roteiro a omissão de países e os discursos inflamados, mas sem substância, de quem usa de verborragia diante da mídia, mas não atua no concreto das necessidades sociais. Nossos problemas estão em áreas como preservação, reciclagem, água tratada, esgotos… e a relação é enorme e complexa! Imaginem, então, com os problemas que já se tem, ainda sofrer as consequências da insanidade de países que incentivam a produção armamentista e da guerra.

A humanidade se surpreende diante da televisão pela descoberta de formas elementares de vida no espaço e joga para baixo do tapete a fome na África, Ásia e América. Líderes políticos tiram casquinha do que hoje é pauta mundial, que iniciou em meados do século passado, quando “ecochatos” alertaram que seríamos arrastados para conflitos sem sentido se não aprendêssemos a cuidar dos nossos semelhantes. É um tempo difícil: nunca precisamos tanto falar – e praticar – a solidariedade, a compaixão e a ternura…

Acompanhe a coluna também em https://youtu.be/J-Ju0f_WpRs

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