Feliz e abençoado Ano Novo!

Na quarta-feira de cinzas recebi ao menos três mensagens desejando “um feliz Ano Novo!”, sempre seguida de explicação: para o brasileiro, enquanto não passar o Carnaval (o do calendário oficial e não o fora de época), a contagem dos dias não vale para as atividades que exigem planejamento e disposição para o ritmo de trabalho. Coincidência ou não, a partir daquele dia comecei a receber um maior número de contatos tratando da participação na formação de grupos, movimentos, paróquias.

Ao longo do ano passado, me dei o direito a um “ano sabático”. Cumpri os compromissos assumidos e poucos novos. Quis dedicar tempo maior para oração, meditação e reflexão. Exercer na prática o que recomendo para os outros: que para se fazer uma boa comunicação, antes, é preciso preparar o comunicador. E um agente da educação (aqui incluindo comunicadores), trabalha em vão se não for capaz de alicerçar sua atividade nos três silêncios da comunicação.

Minha máxima é de que toda comunicação inicia pelo silêncio: a oração, tempo de voltar os olhos para Deus; a meditação, capaz de dar substância e sustento à própria religiosidade; e a reflexão, que embasa a presença social no mundo. Formatei dois tipos de trabalho que já serão utilizados nos próximos dias: “a comunicação a serviço da família” e “uma comunicação que sustente a caridade”. Dentro do espírito da Campanha da Fraternidade deste ano: “viu, sentiu compaixão e cuidou dele!”

Problemas políticos, econômicos e de saúde fazem um ano difícil. Discussões inflamadas e debatedores que de oponentes viram inimigos. Reprovam referências religiosas, mas criam dogmas políticos e endeusam santos com pés de barro que não resistem ao passar da História. Já fomos o país com o maior número de “juízes e técnicos de futebol”, agora temos “especialistas” encastelados em “achismos”, num confronto em que todos perdem e ganham os que provocam as dissenções…

Num tempo em que as questões religiosas viraram coisas secundárias (salva-se o papa Francisco e raras exceções), leva-se para a avenida do Carnaval uma pretensa discussão a respeito da figura de Jesus Cristo e sua presença nos tempos atuais. Para os defensores do Carnaval, necessária e profunda: uma denúncia da podridão das próprias religiões… para os religiosos, a superficialidade faturando em cima de problemas mal resolvidos na alma do próprio povo brasileiro.

2020 é a continuação do que se viveu em 2019. Com a pretensão de que se quer e se pode ser diferente, nem tanto na estética, preparação intelectual e bens que se adquire. Há um elemento primordial: ser e fazer o outro feliz. Vai ser fácil? Quem sabe? Aí está a graça: não abrir mão dos grandes sonhos, valorizando as pequenas conquistas, que fazem a diferença em desejar – em março – um feliz e abençoado Ano Novo!

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