É sorte ou dedicação?

Meu trabalho tem como base ajudar as pessoas a olharem para a sua jornada profissional e tentarem identificar como sentir uma realização maior neste processo. Com isso, escuto diariamente que a grama do vizinho é mais verde porque ele teve sorte, porque ele nasceu com uma estrela cadente pendurada na testa. Pode até ser, eu sei que a vida é mais fácil para algumas pessoas, de fato é. Muitas pessoas têm a chance de estudar em melhores escolas, muitas pessoas têm acesso a cursos, ambientes e até acesso a pessoas mais cultas e isso sim, ajuda na nossa jornada profissional.

Mas tem um lado que muitas vezes ignoramos, o lado do manter aquilo que se conquistou fácil. Li uma publicação de um dos gurus brasileiros sobre indicação profissional, que muitas pessoas conseguem as coisas porque são indicadas por outras e isso facilita o processo. Até aí, ok! Porém, manter é que é o difícil, mesmo para quem é indicado. Se tu não entregas resultado, se não te dedicas, se não levas a sério, a tua indicação vai por água abaixo. Isso também serve para aquelas pessoas que têm mais acesso que outras, que por sinal, conheço muitas situações assim.

Pessoas que tiveram grandes oportunidades na vida, pela facilidade de acesso, assim como por conhecer pessoas influentes, e não conseguirem manter o que foi oportunizado a elas. Conheço muitas pessoas assim. Isso é importante frisar. Então, será mesmo que somos feitos de sorte ou de dedicação? Do que será que depende a nossa jornada profissional ou mesmo quantos por cento é sorte, é facilidade de acesso, é indicação e quantos por cento é dedicação, é disciplina, é investimento, não só de dinheiro, mas da nossa energia, do nosso tempo?

Talvez a nossa vida passe e a gente nem perceba que boa parte dela ficamos comparando a nossa grama com a grama do vizinho, talvez a gente não enxergue que o vizinho acorda mais cedo, estuda sobre grama, faz testes, cuida o tempo, se organiza para que todo dia ele consiga regar um pouco mais o seu projeto.

É natural do ser humano olhar só para o resultado e não identificar o passo a passo, as adversidades enfrentadas pelo outro, as limitações físicas, intelectuais e emocionais do outro, os investimentos que o outro fez, o que ele abriu mão e como se comportou para chegar onde chegou. Mas será que é natural ficarmos cegos a vida inteira? Será que em algum momento vamos abrir a mente e o coração e de forma afetiva conseguir olhar para nós mesmos e vermos o que precisa ser feito de fato, na prática, para alcançarmos os nossos objetivos? Eu espero que sim, porque viver a vida por viver não faz bem pra ninguém, melhor ter uma vida bem vivida, mesmo que isso nos aperte o calo, mas que pelo menos cheguemos lá no final e olhemos para traz com muita satisfação e amor.

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