Discurso: palavras, sentimentos e manipulação

Sérgio Corrêa, jornalista e radialista.

DISCURSO: PALAVRAS, SENTIMENTOS E MANIPULAÇÃO

A coluna visita a história para que você leitor(a) conheça o que está por trás do discurso político, além dos signos e significantes explícitos pelas palavras.
Buscando o algo mais do discurso, torna-se possível identificar pessoas e comportamentos que aparentemente são inexplicáveis pela via da razão.
O discurso político carrega mais significados e sentimentos do que simplesmente o que as palavras nos dizem.

A RAIVA E A RAZÃO

A raiva pode nascer de uma paixão, de uma emoção involuntária, não sentida e não percebida pela razão.

Segundo Lucio Aneu Sêneca “a raiva é despertada pelo aparecimento de um dano”.
Este dano é um fator externo que age sobre o ser humano nas ocasiões de perda. Sendo assim, torna-se importante investigar se a raiva surge com ou sem a ajuda da mente? Se tem ou não a simpatia da mente?

Quando o homem (espécie) se sente ferido de alguma forma, pode ser tomado pelas paixões que surgem de forma involuntária. O passo seguinte é o desejo de Vingança, que anseia por punição daquele que provocou o ferimento.

A RAIVA E A RAZÃO II

Um juiz de direito da vara criminal, não condena um réu por raiva, pois na maioria das vezes nem conhece o réu. Ele julga com base no princípio do livre convencimento motivado, analisando a prova que está no processo, considerando a lei e de acordo com sua convicção, indicando as razões diante da prova demonstrada nos autos.

Um indígena não mata um animal porque tem raiva do animal. Ele abate o animal para alimentar-se. Em tempos de copa do mundo, duas seleções entram em campo para disputar uma final de copa do mundo, não porque uma tem raiva da outra. A seleções em campo são as duas melhores equipes da competição e por esse motivo chegaram à final, contudo, somente uma irá vencer.

Quando um produtor rural perde parte ou toda sua lavoura devido a um evento climático, como chuva de pedra, ele vai nutrir raiva de quem, da natureza ou de Deus? Certamente de nenhum dos dois, pois não há como puni-los, resta amparar-se na razão e recomeçar o plantio para a próxima safra.

A RAIVA E A RAZÃO III

Passo a falar sobre o pensamento dicotômico e, como escrevo para todos os públicos, gosto de facilitar a leitura apresentando o significado das palavras. Quando usamos o vocábulo “dicotômico” nos referimos a alguma coisa, e queremos dizer que ela pode ser dividida em duas outras: opostas e complementares. O dia e a noite, por exemplo, constituem uma dicotomia.

Então quando se fala a palavra dia, automaticamente pensamos noite, fogo pensamos água, sol, pensamos lua, e assim o pensamento toma forma e se materializa no comportamento daqueles que não conseguem pensar fora da dicotomia.

A RAIVA E A RAZÃO IV

Benito Mussolini, político italiano um dos criadores do Fascismo, investiu maciçamente em propaganda política na doutrinação da população italiana, de forma a tornar o culto à personalidade intenso no país a ponto de Mussolini ser chamado pela população italiana e pelos fascistas de líder, IL Duce, em italiano.

Em oposição a essa corrente de pensamento dos italianos e dos fascistas, boa parte da população mundial definia Musolini como reacionário, totalitário, antiparlamentarista, antidemocrático, antiliberal e antissocialista. Mussolini ao tentar fugir da Itália em 28 de abril de 1945, foi fuzilado pelos próprios italianos anti-fascistas e seu corpo assim como o da sua amante Clareta Petacci foram exibidos em praça pública.

A RAIVA E A RAZÃO V

Adolf Hitler, era chamado de Führer, que para os alemães significa “guia”, “líder”, “chefe”. Hitler matou milhões de judeus e os alemães apoiaram cegamente seu guia, líder ou chefe, sem refletir minimamente sobre a razão daquela matança.

Por que a cegueira de parte do povo alemão? A ação dos nazistas resultava em grande medida do dano material, moral e psicológico ocasionado na população alemã com derrota na Primeira Guerra Mundial.

Consolidou-se então na sociedade alemã, a ideia de que a derrota na guerra havia sido injusta. Também incomodava a humilhação sofrida com o Tratado de Versalhes, acordo que pôs fim a Primeira Guerra e proibia a Alemanha de ter navios e aviões de guerra, limitou a 100 mil o número de soldados alemães de infantaria, além de obrigar o pagamento de indenização e entregar suas colônias para aqueles que a derrotaram.

A RAIVA E A RAZÃO VI

Não bastasse tudo isso, a Alemanha enfrentou duas crises econômicas em 1920 e 1929, reforçando a crise na democracia liberal vigente e fomentando movimentos autoritários fascistas e nazistas.

A população com baixa estima, fragilizada e vulnerável passou a acreditar nos discursos nacionalistas de Hitler, afinal, se alguém falar algo que você gosta ou concorda, mesmo que seja um absurdo, você não se sente sozinho, e quanto mais pessoas se juntarem concordando com os absurdos, estes se tornarão verdade, e assim foi um passo para os nazistas ocuparem o poder na Alemanha em 1933.

Caro leitor(a) daí em diante presumo que você conheça a história até o momento que a Alemanha perde a Segunda Guerra Mundial, Hitler se suicida deixando para seus seguidores a responsabilidade por milhões de mortes.

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