Criação da Chama Crioula e das entidades tradicionalistas

Olá amigos. Vou relatar nesta Semana Farroupilha totalmente diferenciada onde algumas entidades  tradicionalistas estarão somente fazendo transmissões ao vivo para interagirem com aqueles que amam  as nossas tradições – a fase atual de criação da Chama Crioula e da era dos CTGs.

Em 1937, Getúlio Vargas promoveu uma afronta às diferenças culturais do país. Estabeleceu a Constituição (conhecida como Polaca, em 10 de novembro de 1937) com o objetivo de unificar a nação  ele implanta a Ditadura do Estado Novo. O gaúcho de São Borja instituiu que a bandeira, o hino, o escudo e as armas passaram a ser os únicos no país. Com a cerimônia da queima das bandeiras em praça pública, ao som do hino nacional, quando são hasteadas, simbolicamente, 21 peças da bandeira nacional em lugar das estaduais, ficou clara a perda do poder regional e estadual. A partir disso, mudanças profundas moveram o imaginário popular e a cultura passou a ser algo estabelecido pelo
Estado Central.

Com a queda da Ditadura Vargas, em 1945, o cotidiano regional começa a ser repensado. A imprensa começou a atuar livremente e os intelectuais re- tomaram a divulgar o Brasil como uma nação de vários segmentos culturais.

O tradicionalismo organizou-se definitivamente a partir de 1947, quase como uma birra. Em agosto de 1947, em Porto Alegre, eclodiu forte uma proposta de esperança, de liberdade e o amor à terra tinha vez e lugar. Jovens estudantes, oriundos do meio rural, de todas as classes sociais, liderados por Paixão Côrtes, criaram um Departamento de Tradições Gaúchas no Colégio Júlio de Castilhos, com a finalidade de preservar as tradições, como também desenvolver e proporcionar uma revitalização da cultura rio-grandense, interligando-se e valorizando no contexto da cultura brasileira.

Numa tarde, João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, recém chegado de San- tana do Livramento, saiu para tomar um cafezinho e avista uma bandei- ra do Rio Grande do Sul, servindo de cortina para tapar o vidro de uma janela do bar, entre cachaça e cigarro. O comerciante não sabia do que se tratava aquele pano. Foi a gota d’água, juntamente com sete amigos Paixão cria um grupo – hoje conhecido como “Grupo dos oito ou Piquete da Tradição” -. O grupo acompanha de a cavalo o translado dos restos mortais do General farroupilha David Canabarro para Porto Alegre.

Entusiasmados com a ideia daquele desfile, procuraram a Liga de Defesa Nacional e contataram o Major Darcy Vignolli, responsável pela organização das festividades da “Semana da Pátria”, expressando o desejo do grupo de, ao final do desfile do dia 07 de setembro, retirarem uma centelha do “Fogo Simbólico da Pátria” para transformá-la em “Chama Crioula”, como um símbolo da união indissolúvel do Rio Grande à Pátria Mãe, e do desejo de que a mesma aqueça o coração de todos os gaúchos até o dia 20 de setembro, data magna farroupilha. Após o desfile da Pátria, Paixão retirou, em um cabo de vassoura com um pano embebido em querosene, uma centelha e criou a “Chama Crioula”, que foi levada ao DTG do Julinho e feita uma “Ronda Crioula” até o dia 20 de setembro onde acontece o primeiro “Desfile Farroupilha” fato este que até hoje, passados 73 anos, os
gaúchos preservam e consideram uma das suas mais caras tradições.

Embora as dificuldades atuais, impostas pela pandemia de coro- navírus, desejamos que todos vocês recordem das nossas tradições tomando aquele chimarrão amigo, pelo menos.

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