Cavalos, cachorros e gatos: amigos do gaúcho

Cássio Lopes, escritor e historiador.

A convivência do gaúcho com cavalos, cachorros e gatos, vem de longa data. O primeiro foi seu leal parceiro desde as demarcações da fronteira luso-espanhola. O segundo foi seu fiel companheiro na vigilância em defesa das sesmarias doadas pela coroa portuguesa. E o último foi introduzido nas estâncias durante a colonização. Aliás, foi nesse reduto que esses animais tiveram sua importância destacada, uns na lida com as tropilhas e no manejo de rebanhos de bovinos e ovinos; e outros na vigilância contra roedores e animais peçonhentos. Nesse ambiente se adaptaram com facilidade e desenvolveram habilidades extras e incomuns como abrir portas e porteiras; pular janelas, caçar animais silvestres, se livrar da coleira e do freio.

No entanto, é importante destacar que a relação do gaúcho com esses animais não se restringe somente ao trabalho, vai muito além e chega até o campo sentimental. Coisa linda de se ver são os laços de amizade que ambos conservam. Pode estar fazendo um baita mormaço ou estar caindo uma tremenda geada, fazendo sol ou chovendo (nesse caso, o gato é a exceção), não importa; o amor desses seres por seu dono é incondicional. Amor esse que é demonstrado através de pequenos gestos, que muitas vezes passam despercebidos pela maioria das pessoas, como fazer festa na chegada do dono (cachorros); uma mordida de leve na ponta da bota do campeiro (cavalo) ou o entrelaçar do gato nas pernas do dono e seu ronronar ao receber um carinho.

Existem relatos de cachorros que morrem em defesa de seu dono e não o deixam nem depois de sua morte. Também é normal um campeiro se sentir mal e cair do cavalo e este ficar imóvel no local e não abandoná-lo.

Quantas vezes somos incompreendidos pela sociedade, rejeitados por nossos amigos e familiares, no entanto, ainda que todo mundo nos despreze, esses seres considerados irracionais nunca nos desampararão, pois seu amor é verdadeiro, puro e sem interesse e brota do fundo do coração.

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