Boas práticas na gestão do Empreendimento Rural

Luís Otávio Daloma da Silva.

No mês que passou tivemos duas grandes feiras, as quais tive a oportunidade de participar: a Expodireto Cotrijal em Não Me Toque, focada em tecnologia e negócios; e a Expoagro Afubra na localidade de São João Del Rey, em Rio Pardo, divisa com Santa Cruz do Sul, considerada a maior feira voltada à agricultura familiar.

A participação nas feiras foi surpreendente – de acordo com a direção da feira da Cotrijal, o público foi 3% superior e o valor dos negócios foi estimado com elevação em 87% (4,9 bilhões de reais) no valor total em relação à feira que antecedeu a pandemia, ainda em 2020. Já a feira da Afubra, que não ocorria desde 2019, registrou recorde de público e volume de negócios, com um incremento de 61% de público e 220 milhões em negócios – aumento de 215% em relação à última edição.

A estiagem também foi tema nas feiras, que segundo a Emater causarão uma perda de mais de 40% nas safras de verão, sendo mais de 50% nas de soja e milho, deixando clara a importância e necessidade da adoção do uso de irrigação e do armazenamento de água, com o envolvimento de todos os atores, inclusive adequando as legislações. Além disso, houve o anúncio por parte do Governo Federal de aporte de recurso para destravar crédito rural para os produtores prejudicados pela estiagem.

Tal fato demonstra, mais uma vez, a fibra, a força e a coragem dos homens e mulheres do campo, que mesmo em período de pandemia e estiagem seguem buscando conhecimento, inovações e melhorias para suas propriedades e produções. Além disso, há que se ressaltar que o volume de negócios só não foi maior por conta da diminuição de crédito nas instituições bancárias.

Como já dito, a inovação e a tecnologia foram os grandes atores das feiras, que inclusive tiveram forma híbrida de realizações, com a transmissão de diversos eventos online, permitindo participação de um número ainda maior de pessoas, mostrando novas técnicas, manejos, maquinários e tecnologias que auxiliam em uma maior e melhor produção.

Não obstante às novas tecnologias apresentadas, de suma importância para a produção agropecuária e que em seguida estarão presentes nas propriedades, gostaria de abordar aqui importante medida para a manutenção e sustentabilidade do empreendimento rural: a profissionalização da gestão, que por vezes não tem maior destaque nas feiras, mas se apresenta como ferramenta determinante para o sucesso na produção.

O Produtor Rural precisa desenvolver suas atividades de maneira rentável, atendendo às exigências do mercado (cada vez mais competitivo), de forma que a adoção de processos e ferramentas que ajudem na tomada de decisões e agilizem o cotidiano com definições mais ágeis e assertiva são de grande relevância, evitando prejuízos ou otimizando lucros.

A adoção de boas práticas de gestão no empreendimento rural é fundamental, pois garante a viabilidade do negócio e a possibilidade de se perpetuar nas gerações futuras. Tais ações envolvem conhecimento de cenários de mercado, custos de produção e margens de lucratividade, conhecimento das legislações agrária, ambiental, civil, empresarial, tributária, definições sobre o envolvimento familiar no negócio e sua sucessão, entre outras.

Embora essenciais, não bastam as melhores tecnologias em operações de plantio, colheita ou na cadeia de cria, recria e engorda, se não estiverem alinhadas a adoção de boas práticas de gestão, que inclui um time de profissionais especializados em permanente capacitação, tais como agrônomos, veterinários, advogados e contadores.
Nas próximas colunas abordarei mais alguns tópicos sobre a gestão jurídica do empreendimento rural.

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