Piratini: Cristiano Quevedo transforma em versos, arranjos e melodias seu amor pelo Pago, que é Berço da Tradição

O músico Cristiano Quevedo é visto como ícone entre aqueles que nasceram no Berço Farrapo e que, com sua arte, enaltece o nome da cidade histórica pelo Brasil e exterior. (Foto: Juliana Miranda)

Nascido na 1ª Capital Farroupilha, o músico nativista Cristiano Quevedo é um dos maiores talentos da cultura sul-rio-grandense da atualidade. O filho do seu Fermiano e da dona Eloá ganhou não só o Rio Grande do Sul a partir da 5ª edição da Vertente da Canção Nativa, realizada em 1994, sendo este o único festival do gênero no município, no qual interpretou “Um Canto Pra Ti”, do compositor Joca Martins, que, assim como ele, também nasceu no berço farrapo. Desde então, o cantor passou a cortar asfalto país afora, fazendo seu nome também em Santa Catarina, Paraná e outros tantos Estados que apreciam a música gaúcha, bem como no Uruguai e Argentina. Na companhia, o inseparável violão que ganhou de presente dos pais aos 8 anos, instrumento com o qual brinca ao dizer que ainda está aprendendo a tocar.

Dos 48 anos que tem de vida, já se vão 29 na estrada. Do repertório, muito do que é cantado foi e, afirma, continuará a ter como fonte inesgotável de inspiração, por exemplo, o campinho que, na infância, existia na avenida Osvaldo Aranha, onde morou, cresceu e aprendeu a andar de bicicleta. “As lembranças, primeiramente da infância e, posteriormente, do que vivi na adolescência, me inspiram não só a compor, mas ainda, no momento de tomar a melhor decisão no que diz respeito ao ser gestor da própria carreira, o que nunca é fácil. Mas os ensinamentos e, também, os valores que recebi dos meus pais me mantêm conectado a essa terra onde a simplicidade faz sim a diferença para tudo em minha vida”, afirma o cantor. “Uma demonstração do que estou falando são as músicas ‘Bailes do Cancelão’ e ‘Regresso Farroupilha’. Esta última, uma homenagem àqueles a quem considero meus padrinhos e responsáveis por me levar para a cultura sulina”, completou Quevedo.

Para escrever e compor Regresso, o artista conta que se inspirou nos tantos dias e quilômetros no lombo de um cavalo para também participar, quando era um guri, do carregamento da centelha da Chama Crioula, o que fez em companhia dos mais velhos, muitos deles citados na canção.

Por influência dos herdeiros, um deles, Maria Rosa, de 22 anos, que estuda Jornalismo e Direito, Quevedo também pega na caneta e, no papel, transformando o amor pela primogênita – nascida no chão, que foi palco de parte da história do Brasil, e fruto da relação com a psicóloga piratiniense Gerusa Porto – em versos. “Quando Maria Rosa tinha 3 anos, eu fiz a letra, o que resultou na canção com o seu nome”, relembra.

Impossibilitado de fazer shows por causa da pandemia de Covid-19, ao brincar por dias a fio com o caçula Joaquim, filho gerado da união com a terapeuta Natália Salton Quevedo, com quem está casado há 15 anos, nasceu não só “Uma canção Pra Ninar Joaquim”, mas outras 11 composições. “Foi um longo tempo encerrado no apartamento, pois não era seguro sair de casa. Enquanto assistia ele dedilhar seu violãozinho com apenas cinco anos e, ao mesmo tempo, falar algumas palavras ou frases, fui anotando tudo e compondo. O resultado foram essas 11 músicas, 90% das letras de minha autoria e que resultaram no último trabalho batizado de ‘Minhas Canções com Joaquim’”, revela.

O músico detalha sobre o porquê de suas letras, melodias e arranjos fugirem à regra, já que praticamente tudo que integra suas composições tem versos e sonoridade diferentes, sendo uma das poucas exceções, uma vez que muitas de suas músicas não abordam a rotina do campo vivida pelo gaúcho, fugindo da mesmice aos ouvidos de quem gosta do gênero.

“Claro que busco fazer sucesso com o que canto, mas isso não é a meta principal. Quero, antes de tudo, eternizar sentimentos, ter o direito de fazer o que para mim é a verdade e, assim, chegar ao coração das pessoas. Quando isso acontece, entendo que atingi meu objetivo, o que me faz ter certeza de que, sim, minha música também é sucesso”, explica.

Para finalizar, Quevedo deixa sua homenagem para a Pátria de Bombachas pelos seus 235 anos de fundação. “Parabéns a cada um que constrói essa cidade de forma positiva, que me inspira e faz com que eu vibre por ter nascido na 1ª Capital da República Rio-grandense, que ainda carrega os ideais de liberdade, igualdade e humanidade. Gratidão a todos que um dia cruzaram ou ainda cruzarão por mim em suas ruas, o que me faz, através da minha música, não só ter inspiração para compor, mas inclusive, contar nossa história com alegria toda vez que subo ao palco”, finaliza.

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