Reforço com a terceira dose e passaporte vacinal são discutidos em Pelotas

Com a medida, comprovante de vacinação poderia ser exigido para a entrada em bares e restaurantes, por exemplo. (Foto: Ester Caetano/JTR)

Com o avanço da vacinação no país, especialistas discutem a possibilidade de incluir uma terceira dose no esquema vacinal contra a Covid-19. Em alguns estados, como São Paulo, depois de mais de oito meses das primeiras aplicações em idosos e profissionais da saúde, houve o início da aplicação de dose de reforço em pessoas com mais de 70 anos. Em Pelotas, a realidade é de esperar as determinações do Ministério da Saúde.

De acordo com a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), a cidade do doce aguarda a chegada de lotes de vacinas para a terceira dose, já que os municípios ainda não receberam as doses de reforço. “Estamos aguardando, mas vamos seguir, como sempre, as determinações do Ministério da Saúde”, salienta.

Segundo a professora adjunta de Infectologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Danise Senna, o esquema vacinal é um conjunto de doses necessárias para criar imunização. “Pode ser dose única no caso de algumas vacinas. No caso da vacina Covid, até agora, foi estabelecido duas doses para o esquema inicial que confere imunidade contra o agente antológico, que é o SARs-cov-2”, afirma.

A profissional complementa que a necessidade de terceira dose para a população em geral ainda é analisada. “Mas pra idosos e imunodeprimidos, uma terceira dose, seis meses depois de completar o esquema com duas doses, parece trazer benefício”, expõe a infectologista.

Passaporte da Vacina
Uma das alternativas para levar aqueles que ainda não se vacinaram aos postos de saúde e locais de vacinação, municípios vem se articulando para implementar o passaporte da vacina. De acordo com Danise, o passaporte seria mais uma medida protetiva para que seja possível o retorno às atividades de normalidade social e econômica. Locais como bares e restaurantes, de grandes aglomerações, teriam que passar a pedir ao seu público a confirmação de, pelo menos, a primeira dose da vacina contra Covid-19.

Mesmo com essa medida, ainda seria necessário continuar com os protocolos sanitários. “A gente ainda vai precisar manter as outras medidas como higiene das mãos, uso de máscara e diminuir a ida para locais fechados por um tempo. Quanto tempo ainda não sabemos”, pontua.

Em Pelotas, a administração municipal é favorável à instituição do passaporte, mas aguarda que a vacinação de adultos com pelo menos a primeira dose esteja completa. Contudo, na segunda-feira (8), foi publicado um decreto que estabelece que operações e atividades comerciais que trabalham com números expressivos de lotação de pessoas estão autorizadas a exigir o comprovante de vacinação.

Paula revela que, no momento, é uma sugestão para os organizadores de evento. “Estamos sugerindo, inicialmente, aos organizadores de eventos que cobrem a vacinação para permitir que as pessoas entrem nesses lugares. A ideia é, depois, poder implementar como obrigação, mas para isso estamos fazendo um estudo jurídico sobre isso”, explica a chefe do Executivo.

Medida divide opiniões
Entre membros do setor de bares e restaurantes do município, paira uma incerteza sobre a possibilidade da adoção do recurso. Rodrigo Santana é gerente de um bar no Centro de Pelotas e trabalha há mais de quatro anos na área. Ele conta que nunca presenciou algo tão desolador para a economia do estabelecimento como a pandemia, cita que o movimento reduziu drasticamente e ainda não retornou ao patamar normal, mesmo com a diminuição de medidas e decretos restritivos. Porém, ele aponta que caso haja a obrigatoriedade do passaporte vacinal, irá acatar, argumentando que a questão de saúde é prioritária.

“Caso tenha, nós iremos aderir sem problemas. Não estamos com movimento acentuado desde a reabertura, mas considero que não melhorará tanto com esse passaporte”, explica o profissional.

Diferente de Santana, a gerente de outro bar e restaurante acredita que o passaporte trata-se de uma decisão individual de cada local. Ela cita que, assim como escolheu não se vacinar, a medida impediria que outras pessoas que optaram por não receberem o imunizante retornassem à normalidade. “Eu escolhi não me vacinar, tive a Covid-19, fui assintomática e fiz o isolamento. Aqui a gente cumpre todos as medidas protetivas e decretos da Prefeitura, mas o passaporte tem que ser uma decisão individual, até porque, na pandemia, é tudo muito incerto”, revela.

No cenário nacional, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já afirmou que mandará barrar as medidas do passaporte vacinal. Na segunda-feira (6), em vídeos divulgados nas redes sociais, afirmou aos apoiadores “não tem aqui, aquela lei nossa era para valer até o final de 2020, prorrogou, mas lá não está escrito passaporte. Quem prorrogou a lei foi o Supremo, era até 2020, que nem vacina tinha”, disse.

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