Dia do Doador de Medula é comemorado com case do HemoPel

Todos os tipos sanguíneos são necessários, pois os estoques do Hemocentro Regional de Pelotas estão 90% abaixo do ideal. (Foto: Marcelo Corvello/Prefeitura de Pelotas)
Aos 18 anos, a estudante Thábata Maria Hugo de Mota fez a sua primeira doação de sangue, no Hemocentro Regional de Pelotas (HemoPel). A canguçuense aproveitou a oportunidade para se cadastrar como doadora voluntária de medula óssea. O que ela não esperava é que fosse chamada apenas três anos depois e que a doação fosse para um bebê, Rafaela, que completou um ano 12 dias após o transplante. Neste Dia Nacional do Doador de Medula Óssea, comemorado no dia 6 de outubro, a estudante tenta sensibilizar mais pessoas a se cadastrarem.
O transplante foi feito no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O local foi escolhido como alternativa mais viável, já que a doadora morava no Rio Grande do Sul e a receptora em Aparecida de Goiás. Ela teve sua primeira internação aos dois meses e o diagnóstico de Imunodeficiência combinada grave (SCID) foi feito aos seis. A SCID* é uma imunodeficiência que resulta em baixos níveis de anticorpos (imunoglobulinas) e um número baixo ou ausente de células T (linfócitos). Os tratamentos para que as pessoas com essa imunodeficiência sigam vivas são muitos, mas a única possibilidade de cura é o transplante.
A mãe de Rafaela, Amerian dos Santos da Paixão, conta que ela, hoje com três anos e meio, não usa mais nenhuma medicação, apenas faz acompanhamento, uma vez por ano, em São Paulo. “O primeiro bolo de aniversário dela foi no hospital com os pais, médicos e enfermeiras. Foi sofrido. Mais graças a Deus agora está tudo bem”, avalia.
Hoje com 23 anos, Thábata diz que não pensaria duas vezes, caso fosse chamada novamente. “Acho que não existem palavras que consigam descrever a satisfação que é saber que eu salvei uma vida, saber que tem um pedacinho de mim nela”, diz a estudante de terapia ocupacional da UFPel.

 

Doadores cadastrados
O Hemopel tem cerca de 27 mil dos mais de 5,4 milhões de voluntários cadastrados no país. Em média são 850 pacientes que procuram um doador fora da família.

 

Busca pelo doador
Como não tinha doadores compatíveis na família da Rafaela, os médicos entraram em contato com a equipe do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Apesar de ser um processo bastante complexo para a ciência, com muitos testes até encontrar pessoas compatíveis, para o doador é muito simples.
Thábata voltou a Pelotas para fazer a contraprova, ou seja, novos exames para confirmar a compatibilidade, que foi de 98%. Depois foram marcados uma consulta e outros 35 exames no Hospital Albert Einstein em São Paulo. Todas as despesas foram arcadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), único responsável por qualquer transplante em território nacional: táxi de Canguçu pra Pelotas, voo de Pelotas a Porto Alegre e de Porto Alegre a São Paulo – na volta da mesma forma – e hospedagem para ela e para um acompanhante.
Dois dias depois ela voltou para Canguçu onde esperou uma semana pela confirmação de que suas condições físicas estavam inteiramente adequadas para fazer a doação sem se expor a riscos desnecessários. Ela voltou a São Paulo, nas mesmas condições da primeira vez, e fez a cirurgia. De acordo com a própria Thábata, a recuperação foi muito rápida. Por usar anestesia geral – uma das possibilidades de coleta da medula, e a escolhida pela doadora – precisou passar a noite no hospital e no dia seguinte teve alta. Mais dois dias no hotel e já pode voltar pra casa. Ela conta que a sensação era que tinha se batido num móvel, um leve desconforto, e 24 horas após a cirurgia já aproveitava pra fazer compras em um shopping de São Paulo. A medula do doador demora cerca de 15 dias para se recuperar totalmente.
O Redome libera as informações do doador e do receptor, um ao outro, apenas 18 meses após o transplante, e caso os dois concordem. Desde o fim de 2020 Thábata e a Amerian se comunicam por WhatsApp e já combinam uma visita da gaúcha à família de Rafaela quando a pandemia acabar. Para quem ainda não é doador, Amerian é direta ao dizer o que espera: “Que passe a ser um doador. Um doador salva vidas. É graças a um doador que a minha filha hoje está viva e com muita saúde”.

 

Quem pode doar
Atualmente, para fazer o cadastro, os voluntários precisam ter entre 18 e 35 anos, mas todos os já cadastrados, com bom estado de saúde, podem ser chamados a doar até os 60 anos.
O cadastro pode ser feito nos Hemocentros, no caso da região de Pelotas no Hemopel, onde receberá informações, assinará um termo de consentimento e deixará uma amostra de sangue. Caso seja compatível com alguém que precisa, é contatado diretamente pelo Redome.

 

Manutenção do cadastro
Tão importante quanto se cadastrar é manter os dados atualizados no Redome, para que possa ser encontrado caso seja necessário. Cada vez que o endereço ou telefone mudar, é imprescindível que sejam atualizados em http://redome.inca.gov.br/doador-atualize-seu-cadastro/

 

O Hemocentro fica na avenida Bento Gonçalves, 4.569, próximo ao Colégio Municipal Pelotense. O telefone para outras informações é o 53.3222-3002, ou pelo Whatsapp 53.98156-1209.

 

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