Pelotas: Prefeita Paula faz um balanço das realizações nos quase 12 anos de gestão e do momento após os alagamentos

A seis meses de concluir o seu segundo mandato como prefeita, que somado ao tempo em que foi vice, Paula completa 12 anos de Administração Pública em dezembro e a sensação é de despedida. (Foto: Rodrigo Chagas)

Pelotas chega aos 212 anos, neste domingo (7), depois de passar recentemente por momentos difíceis e de muita apreensão. Foram pelo menos 28 dias, no mês de maio, de angústia e precaução por conta dos fenômenos climáticos que atingiram boa parte do Rio Grande do Sul, causando elevação do nível dos rios e lagoas e deixando muitos desabrigados. “Felizmente não tivemos perdas de vidas”, diz a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) ao ressaltar que os pelotenses têm sim muito a celebrar e agradecer. “Quando a gente faz aniversário, se comemora o fato de se estar vivo”, destaca a gestora municipal, parafraseando o governador Eduardo Leite (PSDB), seu parceiro de trajetória e de partido político.

Segundo Paula, a cidade como um todo pode se orgulhar da forma como soube lidar com o inesperado, não apenas o Poder Público, autoridades, órgãos de segurança, instituições, entidades, voluntariado, mas todos aqueles que optaram por se precaver. “A gente trabalhou com união, integração, inteligência, colaboração, precaução e, com isso, criamos um espírito tão necessário nestes tempos tão difíceis, que é o de resiliência”, salienta.

Os pelotenses sempre se orgulharam da sua história, talentos e patrimônio. Porém, agora, de acordo com a prefeita, devem se orgulhar também da forma com que vêm lidando com as mudanças climáticas e crises que a humanidade vive. “Não cabe uma festança. Todo o recurso está sendo direcionado para a recuperação do que foi perdido, como infraestrutura e o patrimônio das pessoas”, pontua. Paula afirma que é preciso bom senso, já que por conta da paralisação da economia do Estado, está havendo uma queda muito grande de receitas, o que repercute no retorno dos impostos, sobretudo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e todos aqueles ligados a ele, como o Fundeb, Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além dos tributos municipais como IPTU, ISSQN, ITBI.

Para o sábado (6), estão previstas atividades culturais voltadas para as famílias, especialmente às crianças, para que os pelotenses possam ter um momento de pausa e aproveitar o que há de bom na cidade e possam se sentir bem e felizes. “Vai ser no dia 6 porque é um sábado, dia em que as pessoas estão mais no centro da cidade”, salienta a chefe do Executivo Municipal. Segundo ela, não será uma grande comemoração, mas a ideia é oferecer alegria às pessoas para que entendam que há motivos para se orgulhar delas e da cidade.

Paula afirma que a reconstrução do município já começou e a primeira ação foi o lançamento de um pacote de medidas, que está em avaliação pela Câmara de Vereadores e olha para várias frentes. “Em primeiro lugar estão as famílias atingidas, que são desoneradas do pagamento de tributos por dois ou quatro meses dependendo de cada caso”, ressalta. “Tanto das tarifas de água e esgoto quanto iluminação pública”, complementa.

Está previsto ainda 20% de desconto no IPTU do ano que vem relativo aos dois meses em que as pessoas foram atingidas (maio e junho). “Vamos deixar de cobrar nestes dois meses no SPC, Fazenda e Serasa, além de ampliar o prazo não vamos cobrar o valor de alvarás para estimular a abertura de empresas”, diz.

Conforme a prefeita, o deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB) destinou uma emenda parlamentar justamente para repassar a empreendedores a fundo perdido. “R$ 1 milhão que será destinado aos pequenos e micro empreendedores para se recuperarem, um estímulo nesta retomada”, acrescenta.

Ao mesmo tempo, o projeto de microcrédito a juro zero está sendo revisado para também oferecer mais estímulo. “O teto máximo, que era de R$ 5 mil, foi dobrado para R$ 10 mil. E, antes, não tinha prazo de carência, a pessoa tirava e já começava a pagar”, ressalta.

Agora, está sendo dado prazo de seis meses de carência, e o limite para pagar, que era de um ano, passou para 1,5 ano, que somado à carência, chega a dois anos para quitação da dívida.

Paula cita como exemplo famílias do Pontal da Barra que têm uma peixaria e perderam o freezer com as enchentes. “Foi perdida a base de sua economia e estamos oferecendo formas para retomar isso”, completa.

Infraestrutura ganhou reforço com a locação de máquinas

A prefeita destaca que o município também se preocupa com os investimentos na infraestrutura perdida. “Primeiro, nos dedicamos ao recolhimento dos entulhos nas áreas atingidas, Laranjal e Colônia Z-3”, diz. De acordo com Paula, o cenário era de guerra, com a retirada de toneladas de cargas e a utilização de inúmeros caminhões. O Sanep ficou responsável pelo transbordo do material.

As máquinas para realizar o trabalho de recuperação de estradas e vias foram alugadas através de parceria com o governo Estadual, Câmara de Vereadores e da utilização da emenda do deputado Trzeciak. “O pessoal reclama dos buracos, é verdade. Após um mês e meio de chuvas intensas, a dificuldade que existia piorou muitíssimo, o que dificultou o início, pois é preciso secar o que está muito úmido”, detalha.

Além da cidade inteira para recuperar, há também as estradas rurais. Com o aluguel das máquinas, haverá mais possibilidades para realizar o trabalho de recuperação, que foi iniciado por um dos acessos da Colônia Z-3. A outra estrada não tinha condições de receber o fluxo pesado por conta do nível elevado da Lagoa dos Patos. Paula conta ainda que o Exército instalou uma ponte provisória nesta estrada em recuperação e que está em fase de conclusão, viabilizando inclusive a retomada do transporte coletivo.

Segundo ela, a Prefeitura está se dedicando à recuperação das vias da cidade, tanto de saibro quanto de asfalto e, ao mesmo, tempo às vias da Colônia. “Eu sei que o pessoal está aflito, mas nós vamos chegar a todas as comunidades com qualidade e entrega”, assegura.

Nem todos voltaram para casa ainda

Tanto na Colônia Z-3 quanto no Pontal da Barra ainda há locais alagados. No Pontal, a estrada de acesso começou a ser limpa e necessitará de recursos para receber reforço em pedra, na parte mais vulnerável da estrada, próximo à curva. “O reforço com pedras, que era de 900 metros, será de 1,8 mil metros para que, efetivamente, a estrada seja preservada”, garante a gestora municipal.

No ano passado, a Prefeitura cadastrou na Defesa Civil nacional a construção de uma estrada definitiva, que custa mais de R$ 12 milhões. “Estivemos conversando com aquela comunidade para dar o retorno que eles esperam, pois a maioria ainda não conseguiu retornar”, diz. Foram em torno de 15 casas atingidas e os moradores que permaneceram no local estão em barcos. A Administração Municipal busca parcerias com a alternativa privada para o fornecimento de material de construção para reconstruir as casas.

Administração Paula Mascarenhas deixará algumas marcas

A segurança pública é uma das principais marcas deixadas pelo governo Paula. Vinculado a isso, está a preservação e transformação de vidas. “Nosso projeto de segurança é muito amplo, vem desde a relação dos pais com os filhos, estreitamento de laços e vai até a abertura de oportunidades à população carcerária”, afirma.

Conforme balanço da Prefeitura, mais de 270 vidas de jovens foram preservadas e transformadas. Pais que estavam no sistema prisional sem perspectiva e começaram a trabalhar, vindo a se destacarem, foram valorizados e mudaram a vida da sua família. “Nós preservamos e transformamos vidas e este é um legado de que me orgulho de que o meu governo tenha participado e proposto isso”, destaca.

Tudo isto é resultado de um trabalho integrado, que é importante na segurança, foi importantíssimo na pandemia e, agora, de novo durante as enchentes. “Pelotas se sobressaiu no cenário ao saber agir, mas muito porque nós temos um trabalho integrado, sabemos trabalhar coletivamente, e isto é também um legado do Pelotas Pacto pela Paz e isso fica como marca no meu governo”, assegura.

Paula cita ainda outras marcas importantes como o jeito novo de fazer política do PSDB, nesses últimos 12 anos, de mais proximidade da população. “Criamos o Bairro da Gente, nos misturamos com a população e mostramos que antes de mais nada somos cidadãos que querem melhorar a cidade”.

A inovação, com a criação do Parque Tecnológico, um olhar forte para a habitação, inovação em saúde, são outros destaques da sua gestão que serão lembrados e dos quais a prefeita se orgulha. “Conseguimos ampliar o teto de investimentos em saúde junto ao Ministério da Saúde, temos um Hospital de Pronto-Socorro que irá colocar nossa saúde pública regional em outro patamar e que deve ser entregue até o final do ano”, anuncia.

Aliás, Paula espera que até o final outras entregas sejam realizadas e outras frentes de trabalho sejam iniciadas, como a revitalização da avenida Fernando Osório. “Estamos correndo contra o tempo para iniciar esta obra”, diz. Outra expectativa é o restauro do Teatro Sete de Abril, que segundo a gestora, já devia ter sido entregue. O projeto é financiado pelo governo Federal, que deixou de colocar recursos há cerca de quatro anos. “Estamos nos virando para conseguirmos via Lei de Incentivo à cultura e estamos nas últimas licitações, e esta é uma das minhas prioridades para que seja entregue até o final do ano”, assegura.

A Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo, entregue nesta sexta-feira (5), foi uma obra que atravessou três governos e enfrentou vários problemas ao longo do processo. Entre eles, alguns projetos que precisaram ser refeitos, a empresa quase abandonou o trabalho, que foi assumido por um consórcio – uma sucessão de dificuldades superadas, de acordo com a prefeita. “Esta obra irá nos dar uma autonomia no fornecimento de água por 30 anos, renováveis, basta uma ampliação”, diz.

Outra entrega é a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Novo Mundo, prevista para dezembro, que irá elevar o nível do tratamento de esgoto da cidade. “Hoje tratamos apenas 18% e vamos passar para 40%”, garante Paula.

Com a criação da taxa de lixo no governo Leite, o que permitiu que o Sanep tivesse uma fonte para sustentar os resíduos sólidos, as tarifas de água e esgoto passaram a ser usadas para refazer e ampliar redes, levar uma estação de tratamento móvel para o Laranjal e também investir em drenagem. “As casas de bombas foram todas reformadas, adquiridas novas bombas e isso foi importantíssimo para enfrentarmos esse desafio climático”, ressalta. Segundo a chefe do Executivo, as casas de bombas estão todas impecáveis e funcionando a pleno.

Ela cita ainda como melhorias que trouxeram mais qualidade de vida à população a requalificação dos espaços públicos muito degradados, e que agora viraram espaços de convivência, a iluminação pública, que recebeu luzes de LED por toda a cidade, e a qualificação da infraestrutura.

Em ritmo de despedida

A seis meses de concluir o seu segundo mandato como prefeita, que somado ao tempo em que foi vice, Paula completa 12 anos de Administração Pública em dezembro e a sensação é de despedida. “A gente tem que saber quando chega a hora de concluir. Fizemos o possível, entregamos o que podíamos e eu me dediquei ao máximo durante este período e com todo o amor que tenho pela cidade e por sua gente”, assegura.

A gestora comenta que os sentimentos se confundem. Ao mesmo tempo em que sabe que está na hora de “passar o bastão”, fica uma sensação de perda pelo apego, não ao cargo, mas ao que ele significa. “A possibilidade de transformar a vida das pessoas, de ajudar a cidade a melhorar”, frisa.

Foram muitas crises vividas, entre elas a pandemia e agora a climática. Contudo, os problemas continuam. “Eu queria poder resolver todos nestes seis meses, mas sabemos que não é possível”, acrescenta. Paula destaca que nenhum governo resolve tudo e o gestor precisa ter a noção de suas missões e prioridades e investir nelas. “Cada um fazendo a sua parte, a gente vai evoluindo e é o que tem acontecido na cidade”.

A prefeita não tem dúvidas de que este período nunca será esquecido, pois o considera um dos mais bonitos, honrosos e significativos da sua vida. “Recebi a confiança da população no meu trabalho e tenho a convicção de que fiz tudo o que estava ao meu alcance para melhorar a vida das pessoas”, salienta.

Olhar para o futuro com esperança

“Eu sei que as pessoas olham muito para os problemas da cidade e isso é natural. Eu também não quero ruas com buracos e tenho este compromisso com a minha equipe para resolver esta questão”, diz.

No entanto, Paula afirma que mais do que olhar apenas para os problemas, é preciso focar nas conquistas e avanços durante os últimos anos, além do talento da população.

“Somos uma cidade que tem inúmeras qualidades, potenciais fantásticos, que a gente se orgulhe da cidade que tem e olhe para o futuro com esperança, porque quando nos unimos em torno de uma causa, se consegue muito”, acredita.

Segundo a gestora, Pelotas é destaque por ser um município que é patrimônio cultural, mas não que ficou parado no tempo. “Tem inovação, tem parque tecnológico, uma cidade que olha para o futuro com perspectiva”, sinaliza. Ela espera que a população possa sentir isso e não ficar apenas reféns dos problemas, que precisam ser cobrados e solucionados, admite, mas levantar o olhar e enxergar o que foi construído. “Com isso, se estimular a seguir coletivamente construindo este futuro”, finaliza.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome