Escritório da Emater em Morro Redondo atua no desenvolvimento social, econômico e sustentável

Produção orgânica de alimentos vêm ganhando espaço entre os agricultores do município. (Foto: Divulgação)

Segurança e soberania alimentar, agroindústria, bovinocultura de leite, saneamento básico, pêssego, turismo rural, assistência técnica e extensão rural (Ater) a remanescentes de quilombos, olericultura, apicultura e milho são as dez áreas prioritárias para atuação da equipe municipal da Emater/RS-Ascar, em 2022. De acordo com a chefe do Escritório Municipal, extensionista e enfermeira Karin Peglow, as áreas foram definidas a partir do cenário e pactuação com a Prefeitura e Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Morro Redondo (Comdermor).

Do trabalho realizado no município, Karin destaca três áreas: a de produção e armazenagem do milho grão, que visa ao desenvolvimento econômico; a produção orgânica voltada ao desenvolvimento sustentável e de recursos naturais; e a Ater aos remanescentes de quilombos e artesanato, buscando o desenvolvimento social e humano.
No milho, ela explica que as unidades produtivas familiares têm suas áreas de lavouras anuais principalmente destinadas à produção de milho grão. A cultura ocupa uma área de 600 hectares e está presente em 200 propriedades. “Garantir a produção e conservação de milho grão é imprescindível para atender as demandas da propriedade e comercialização no mercado local e regional”, ressalta.

Entre as atividades de Ater da Emater com os produtores estão a implementação de ações de conservação e recuperação da fertilidade do solo, práticas de preparo do solo, plantio, adubação, controle de plantas daninhas, colheita, secagem e armazenamento, visando aumentar a produtividade das lavouras de milho e a conservação dos grãos.

Foram atendidos na última safra 85 produtores, localizados em todas as comunidades rurais do município, realizando a difusão e o fomento ao uso de tecnologias para aumento de produtividade da cultura. Os resultados foram uma produtividade média das lavouras de 4,2 toneladas por hectare e alguns produtores ultrapassaram as seis toneladas.

“No último ano, foram instalados oito silos secadores em cinco propriedades rurais, aumentando a capacidade armazenada em 190 toneladas de milho grão, totalizando hoje, no município, dez propriedades com sistema de secagem e armazenamento, com uma capacidade de armazenagem de 340 toneladas de milho, em silos secadores”, afirma.. Segundo ela, essas ações aumentaram a oferta de grãos, atendendo as demandas das propriedades e ofertando produto para o mercado local e regional, comercializados a R$ 80 o saco de 50 quilos.

Resultados positivos também foram alcançados no trabalho com a produção orgânica, que tem como objetivo obter um sistema de certificação confiável, acessível e sem custos para os produtores. “A produção orgânica vem despertando o interesse, por parte dos agricultores familiares, para um processo de produção sustentável, visando a redução no uso de insumos químicos industrializados, como também pela possibilidade de atendimento aos consumidores que buscam um alimento saudável”, diz a extensionista. Dessa forma, Karin afirma que torna-se possível cuidar da saúde de agricultores, consumidores e do ambiente.

Conforme a profissional, em 2020 um grupo de agricultores que já estava no processo de transição da produção convencional para a orgânica solicitou o cadastro de uma Organização de Controle Social (OCS). “Através da Emater, a documentação foi elaborada e encaminhada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sob o nome de OCS Renascer e com seis famílias de agricultores familiares e quilombolas”, conta. Em março de 2021, o registro foi concedido pelo Mapa, o que permite a venda como produtos orgânicos em feiras, diretamente ao consumidor e nos mercados institucionais, com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), levando renda aos produtores.

Além disso, parte dos integrantes começa a estruturar a Rota Orgânica, vinculada ao Turismo Rural no município, que está sendo organizada junto ao Roteiro Turístico Morro de Amores, como forma de oferecer ao turista a vivência da agricultura familiar e da produção orgânica de alimentos. “São cinco famílias da comunidade Afonso Pena que estão executando um planejamento em parceria com uma consultoria do Sebrae, juntamente com a Prefeitura Municipal e Sicredi, que buscam incrementar a renda da família de forma complementar entre os integrantes do grupo”, explica.

Instalações de novos silos secadores aumentou a capacidade de armazenamento para 340 toneladas de milho. (Foto: Divulgação)

Na rota, cada família se organiza em torno de uma produção de destaque e de um aspecto da produção orgânica, de modo que após o turista passar em todas as cinco propriedades, possa ter uma cesta repleta de produtos e ensinamentos de como se desenvolve uma produção sem o uso de insumos químicos.

A atenção às famílias quilombolas também tem sido relevante para a transformação da vida dessas populações. “Eles enfrentam preconceitos ligados ao racismo estrutural. A maior parte vive em situação de extrema pobreza e as mulheres enfrentam ainda o preconceito de gênero, impactando ainda mais sua saúde mental e autoestima”, salienta.

No entanto, através do desenvolvimento de ações da Aters voltadas à valorização do saber das mulheres quilombolas, esta realidade vem mudando, contribuindo para a elevação da autoestima e também com a geração de renda. Entre os resultados já observados, ela cita a realização de oficinas de qualificação do artesanato e elaboração de material visual do artesanato quilombola, para comercialização virtual em feiras como a Expointer e Expofeira Pelotas.

“As oficinas foram realizadas com as mulheres quilombolas integrantes do Grupo Pérolas Negras, pertencentes à Comunidade Quilombola Vó Ernestina, atividade que vem sendo desenvolvida desde 2019, quando o grupo foi constituído, com o apoio da Emater”, lembra.

Para a estruturação do catálogo virtual, as peças produzidas pelo grupo, como bonecas negras, tapetes e o artesanato em fibras naturais, foram fotografadas, sendo elaborado rótulo de identificação das peças e artesãs, para que fizessem parte do catálogo virtual Presença Quilombola no Artesanato Gaúcho, elaborado pela Emater/RS-Ascar junto com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR), sendo lançado na Expointer.

“Também foram enviadas e comercializadas diversas peças durante a Expointer e Expofeira de Pelotas”, conta. Segundo ela, houve um incremento na venda direta, além de encomendas a partir do catálogo virtual, inclusive para um filme. Pesquisas e novas oportunidades de comercialização também foram fortalecidas, aumentando a renda, valorizando o saber fazer ancestral e, consequentemente, elevando a autoestima das mulheres quilombolas.

Durante as comemorações do aniversário do município, a Emater estará na linha de frente na organização do 3o Concurso Municipal do Mel, que ocorre na quinta-feira (12) e o 5º Concurso Regional da Qualidade do Mel, no domingo (15), no Centro Municipal de Eventos Valdino Krause. Além de Karin, integram a equipe de extensionistas do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Morro Redondo, a médica veterinária Adriane Costa e o engenheiro agrônomo Evaldo Voss. O local também conta com a estagiária da área administrativa, Taiane Torchelsen.

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