Cultivo do tabaco em Canguçu, a atividade que perdura gerações

Diretor do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares, Delair Radtke, falou sobre a cultura do tabaco (Foto: Liziane Stoelben Rodrigues/JTR)

Canguçu ocupa, atualmente, o posto de segundo maior produtor de tabaco do país. Marco de produção elevada que acompanha o município há bastante tempo e, segundo o Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Canguçu (STAF-Canguçu), o destaque em produtividade está ligado diretamente a possibilidade de sustentação das pequenas propriedades com o fumo, já que existe uma garantia de comercialização e retorno financeiro maior comparado a outras culturas produzidas no estado.

O STAF-Canguçu – que é o maior sindicato brasileiro da categoria -, considerando o número de sócios, atende cerca de 6 mil famílias em diversos segmentos, incluindo prestação de serviços de odontologia, médicos, diversos especialistas, atendimento agropecuário, troca-troca de sementes e aparo nas demandas que buscam melhorias às condições de vida dos agricultores.

Neste ano, em razão dos efeitos da estiagem e da diminuição na classificação na hora da venda do produto, o sindicato estima que aconteça uma redução na produtividade para 17,5 toneladas.

Ainda, os produtores não ficaram satisfeitos com o valor pago pelas empresas em relação ao produto e por conta da pandemia, o movimento sindical não pôde fazer mobilização contra a diminuição do preço do tabaco que, de acordo com o diretor do sindicato, Delair Radtke, o problema não está no preço em si, mas na desclassificação das classes que ocasiona aos produtores significativas perdas financeiras. Ele salientou, ainda, que a instituição possui boa relação com as empresas fumajeiras – em torno de oito principais – atuantes no município.

Sucessão familiar na produtividade do tabaco
A produção do tabaco movimenta boa parte da economia da cidade, considerada a Capital Nacional da Agricultura Familiar, possuindo em torno de 5 mil famílias envolvidas no cultivo do fumo e em cerca de 9 mil hectares de área plantada. Realidade que possibilita uma maior sucessão familiar à produção do tabaco em Canguçu.

A agricultura familiar realiza significativo papel no desenvolvimento das atividades de produção no município, principalmente por priorizar a mão de obra dos moradores da propriedade. O trabalho costuma ter uma sucessão de geração em geração compartilhando similaridades em suas histórias.

Um processo natural que leva tempo e causa dificuldades para muitos jovens e filhos de agricultores é não conseguir adquirir novas terras, pois a propriedade acaba não suportando o aumento na demanda, consequentemente fazendo com que as novas gerações resolvam migrar para o urbano.

Apesar do êxodo rural, das dificuldades enfrentadas pela falta de valorização e efeitos climáticos, grande parte dos produtores escolhe permanecer na atividade agrícola iniciada pelos pais. “Começamos eu e minha mãe a fazer bolos. Depois começamos a vender leite e como não dava muita renda, partimos para o tabaco. Agora plantamos fumo em conjunto: eu, meu marido Milton, meu irmão Nelsi, meu outro irmão Nadir, a minha cunhada Verli e a minha sobrinha Ana e o marido Danilo”, contou a agricultora Noeli Krolow Thurow, que trabalha na produção do fumo há 35 anos.

Noeli, que é moradora do interior de Canguçu, conta que sempre teve o apoio dos pais e hoje incentiva a sobrinha a continuar na atividade, herança que obteve da mãe e veio se modificando com o tempo. “Na época que começamos, não tinha a máquina para atar o fumo, não se tinha trator. Hoje em dia facilita mais o trabalho com estufa elétrica”, afirma, acrescentando: ”Com a tecnologia muita coisa mudou para melhor”.

Na propriedade, ainda são cultivadas outras culturas como feijão, batata e hortaliças, o dia a dia de trabalho acaba sendo cansativo, mas ela afirma que no final da safra tudo se recompensa. Noeli salienta a importância da valorização do produtor. “Esperamos que na nova safra o produto seja mais valorizado, pois sol a sol estamos na luta todos os dias, e não temos o apoio que deveríamos de ter na hora de vender”.

Para finalizar, ela deixou uma mensagem aos produtores iniciantes: “Siga sempre adiante, nunca desista e tenha sempre um bom negócio”.

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