
Desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em 2014, a campanha “Dezembro Laranja” tem o objetivo de estimular a prevenção e a descoberta precoce do câncer de pele — o tipo mais comum do tumor no Brasil. Escolhido para representar a causa, o mês de dezembro marca o início do verão no Hemisfério Sul, período em que a exposição solar torna-se mais intensa, aumentando os riscos associados à doença.
Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele corresponde a 33% dos diagnósticos no país, e estima anualmente 220 mil novos casos. Em Pelotas, segundo dados da Secretaria da Saúde (SMS), foram registradas, em média, 115 novas ocorrências da doença somente em 2025.
De acordo com a dermatologista Gabriela Seidel, hábitos básicos podem ser seguidos para prevenção da doença. “O Brasil tem índices altos de radiação UV, clima tropical e forte cultura de exposição ao sol, fatores que elevam o risco. A maior parte dos casos pode ser prevenida com hábitos simples, como usar protetor solar com fator de proteção solar (FPS) de, no mínimo, 30 diariamente, mesmo em dias nublados, evitar exposição solar entre 10h e 16h, usar barreiras físicas: chapéu, óculos, roupas com proteção UV e buscar sombra sempre que possível”, explicou.
A médica ressalta, também, que qualquer lesão nova que sangre e cresça sem cicatrização deve motivar uma consulta imediata. Para pintas, a sequência do ABCDE do melanoma deve ser seguida: A – Assimetria; B – Bordas irregulares; C – Cores variadas; D – Diâmetro maior que 6 mm; E – Evolução (mudanças ao longo do tempo). Além disso, áreas ásperas e avermelhadas, caroços com vasos evidentes e feridas que não cicatrizam em quatro semanas devem ser levadas em consideração.
A secretária de Saúde, Angela Vitória, destaca que Pelotas conta ainda com um uma médica dermatologista responsável por avaliar as fotos de todas as lesões encaminhadas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com as imagens que apresentam características suspeitas de malignidade, sendo diretamente encaminhadas ao serviço de oncodermatologia, o que agiliza o diagnóstico e o início do tratamento. Além deste reforço, o município dispõe do Ambulatório de Pequenos Procedimentos da UBS Bom Jesus, onde são realizadas intervenções simples. A partir de 2026, também estão previstas retiradas de pequenas lesões de pele suspeitas de malignidade, ampliando o acesso dos pacientes ao cuidado especializado.
Alternativas personalizam necessidades específicas
Entre as opções de protetor solar, a manipulação do produto adequa a fórmula a peles sensíveis, reativas, alérgicas, com melasma – mácula marrom bastante comum em mulheres grávidas – ou qualquer outra restrição. Assim, a proteção sob medida é indicada para quem precisa de uma solução individualizada.
Segundo a farmacêutica da farmácia Uso Indicado, Gabriela Araújo, o protetor solar manipulado pode ser ajustado conforme cada necessidade, diferente do industrializado. “O protetor solar manipulado permite personalização total da fórmula, algo que o industrializado não oferece. A seleção dos filtros solares, a concentração, o veículo, a textura e sensorial, a presença ou ausência de fragrância, conservantes e a inclusão de ativos antioxidantes ou calmantes pode ser ajustada conforme a necessidade do paciente. Já os industrializados precisam seguir uma formulação padronizada, pensada para atender a um público amplo”, detalhou.
Para escolher o FPS, a farmacêutica afirma que três pilares são levados em consideração: foto tipo do paciente e sensibilidade ao sol, além de condições clínicas, como melasma, rosácea ou histórico de câncer de pele, que exigem proteção mais alta, e hábitos de exposição, considerando se o paciente trabalha ao ar livre, pratica esportes ou usa maquiagem diariamente. Com esses elementos, a combinação ideal de filtros físicos e químicos é escolhida, bem como a proporção estabelecida para alcançar FPS 30, 50, 75 ou superior, sempre com controle de estabilidade.
Prevenção e cuidado
A dermatologista reforçou que a frequência de consultas de rotina com profissionais varia conforme o histórico de cada paciente: “Uma vez ao ano para adultos sem fatores de risco, a cada seis meses para pessoas de pele clara, com muitas pintas, histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, e a cada três ou quatro meses para quem já teve melanoma ou carcinomas agressivos”, destacou.
Para a farmacêutica Gabriela, campanhas como estas são fundamentais para que informações sobre o tema sejam disseminadas. “Considero campanhas como o Dezembro Laranja fundamentais. Elas aproximam o público do tema, diminuem a resistência ao uso de fotoprotetores e ajudam a identificar precocemente lesões suspeitas, algo que pode literalmente salvar vidas. A farmácia tem papel central nesse processo, porque é um dos pontos de primeiro contato do paciente com orientações qualificadas e acessíveis”, garantiu.



