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Jornal Tradição

Ano XIII - Número 643 janeiro - 2019

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Ano XIII - Número 643

janeiro - 2019


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Política

16-05-2014

Jornal Tradição Regional entrevista o deputado federal Fernando Marroni (PT)


Foto: JTR

Confira mais uma conversa da série que tem como objetivo informar à população sobre o andamento político-econômico da região


Infraestrutura e programas sociais foram o foco da fala do deputado federal Fernando Marroni no último encontro da série JTR Entrevista, que trouxe, desde o final de 2013, líderes políticos da região para falar sobre projetos e debater a situação política atual. Fernando Stephan Marroni nasceu em Pelotas, é casado com a psicóloga e deputada estadual Miriam Garcez Marroni (PT), pai de Camila e Otávia e avô de Maria Eduarda.



Iniciou sua trajetória política nos anos 80 na Associação dos Funcionários da Universidade Federal de Pelotas (Asufpel) que presidiu entre 1987 e 1991. Em 1989, assumiu a direção nacional da Federação dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra). Em 1992, concorreu a vereador pelo PT em Pelotas, e em 1999, amparado por 47.051 votos, Fernando Marroni estreia no Congresso Nacional. Em seu primeiro mandato foi membro das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; Educação, Cultura e Desporto e Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Em 2001, Marroni renunciou ao mandato para governar Pelotas.


Em 2010, Marroni foi reeleito deputado federal com 87 mil votos, entrando para a história como o candidato a deputado mais votado de Pelotas em todos os tempos. Ele assumiu seu novo mandato tendo como principal projeto a implantação de um trem de passageiros regional interligando a cidades de Capão do Leão, Pelotas e Rio Grande (incluindo o balneário do Cassino). Mas como representante da Zona Sul no Congresso Nacional, o deputado tem atuado em várias frentes como a defesa da agricultura familiar através da atuação como interlocutor dos produtores de pêssego junto ao Banco do Brasil e ao Ministério da Agricultura e como principal articulador em favor da certificação do Laboratório da Qualidade de Leite da Embrapa pelo Ministério da Agricultura.


Jornal Tradição Regional: Quais foram os principais projetos realizados na região e no Estado?


Fernando Marroni: Eu fiquei os últimos cinco anos na Câmara Federal, e penso que os deputados tem três grandes ações: uma é a votação de legislação; a outra é o tema da relação com as prefeituras da sua região; e terceiro, a questão da infraestrutura regional. Nesses cinco anos tive a oportunidade de participar de um governo que vem fazendo muito pela nossa Região, e destacaria os temas de infraestrutura, como a duplicação da BR-116 e o contorno de Pelotas. Estes temas, que estão em obras hoje, foram, para mim, muito gratificantes. Ser base de apoio do governo federal e ter realizado estas obras de infraestrutura tão importantes foi muito gratificante. Em termos de projeto, destacaria o trem regional, que vai ligar Capão do Leão até a praia da Querência, no Cassino. São 100 quilômetros de ferrovia, para dar conta da mobilidade urbana neste que é o aglomerado urbano do Sul. Este projeto vai propiciar uma mobilidade não só dos trabalhadores, mas também dos estudantes da FURG, dos institutos federais de educação e da UFPel. 2015 vai ser o ano em que o projeto do executivo vai entrar no PAC 3 e nós iremos ter essa obra tão importante. Outro projeto é a travessia a seco entre Rio Grande e São José do Norte. Me empenhei muito, e não havia nenhuma perspectiva de ser aprovado. Com o desenvolvimento do Polo Naval de ambas as cidades, a travessia seca passou a ser uma prioridade da presidente Dilma Rousseff, que já anunciou os estudos de viabilidade para se determinar se será um túnel ou uma ponte. Isso foi fundamental em termos de infraestrutura para a nossa região, que vem experimentando um crescimento grande e que necessitava dessas obras.


Em termos de relação com os municípios, nesses cinco anos, tive relação com todas as cidades da Região Sul. Todos receberam recursos pelo nosso mandato, e ajudei todas as prefeituras na apresentação de projetos e processos no governo federal. A nossa estrutura se dedicou a ajudar os prefeitos, que tem muitas dificuldades de apresentar projetos e de acompanhá-los em Brasília. E, muitas vezes, o deputado faz a indicação da emenda e por problemas da prefeitura o recurso não sai. Me dediquei, também, muito ao tema da saúde e da segurança pública. O projeto de câmeras de segurança que fizemos em Rio Grande, Pelotas, Canguçu, Jaguarão, Camaquã e São Lourenço do Sul, que são as maiores cidades da região, deu a cada uma delas uma emenda de R$ 1 milhão para colocar câmeras de videomonitoramento. É uma experiência boa, os prefeitos responderam bem e as cidades com certeza vão ficar mais seguras com isso. E na saúde, foram empenhados R$ 25 milhões. Dos R$ 50 milhões que empenhei, R$ 25 milhões foram na saúde, o terceiro tema de maior carência na nossa Região. Eu sempre digo que disputamos a eleição, e os problemas do povo não acabam quando se elege alguém. A primeira coisa que fiz quando o prefeito de Pelotas assumiu o cargo foi ir no seu gabinete, colocar o nosso mandato a disposição, ver quais eram os temas mais importantes, e, em via de regra, ele também optou pelo tema da saúde. Então, acho que isso é uma experiência boa, importante aqui na região.


Em termos de legislação, participei desde o início do tema dos royalties do petróleo. Eu comecei esse debate, uma vez que estava na comissão de minas e energia quando o município do Rio de Janeiro foi reclamar que a terceira casa decimal, na multiplicação, estava errada, e isso da uma diferença de alguns milhões para as cidades. E eu perguntei como era feita a divisão dos royalties. O poço está no meio do oceano  mas a cidade está na frente, então tem que receber. Aquilo me incomodou muito e decidi trabalhar em um projeto de distribuição dos royalties do petróleo para todos. O petróleo é brasileiro e tem que ser para todos. E isso foi até o limite, e acho que a presidente Dilma foi muito corajosa quando disse que não iria passar para o FPM. A gente sabe que lá o dinheiro é livre, os prefeitos podem usar no que quiserem. Os royalties tem um sentido, que é uma riqueza que se tem hoje e que as futuras gerações não vão ter. Então, por isso, se pagam os royalties como um seguro para as futuras gerações. O desafio é colocar todas as crianças na pré-escola, fazer ensino fundamental de tempo integral. Tem também o nível médio profissionalizante para todos. Só 18% dos jovens vão para a Universidade. O resto tem que fazer cursos para aprender uma profissão. Para que serve o 2º grau para quem não vai para a faculdade? Os recursos dos royalties vão nos permitir isso. Fazer uma cobertura integral, ampliar o ensino fundamental e fazer o ensino médio de formação profissional. No ensino superior, temos vivido esse processo de grande expansão nas matrículas. Saltamos de 11% para 18, 19%. É muito pouco para um país que é a quinta economia do mundo. Nós precisamos de 40%, 50% dos nossos jovens no ensino superior. É assim nos países desenvolvidos. Estão nos faltando médicos. Pelotas tem duas faculdades de medicina e vêm médicos de fora. Por quê? Porque o mercado está muito aquecido. Há um consumo do trabalhador formal que tem o seu plano de saúde, há o consumo daquele que aumentou a sua renda e vai no consultório privado. Então os médicos estão procurando, e é legítimo que procurem uma melhor rentabilidade para a sua profissão.


O segundo projeto que eu atribuo de fundamental importância é o Mais Médicos, que foi uma luta muito grande no Congresso Nacional. A prevenção é o melhor remédio.


Nos temas de infraestrutura, sempre puxo a brasa para o meu assado. Diga-se de passagem, sou de uma região que ficou deprimida por quase 30 anos. As eleições hoje estão muito vinculadas ao poder econômico do candidato na hora do pleito. É possível eleger alguém somente na mídia eletrônica, no papel, no carro de som, na bandeirola, que é o que a maioria do povo vê. O poder econômico hoje desequilibra as eleições, e nós estamos, em termos democráticos, em uma representação distorcida do Congresso Nacional. O povo não está representado lá. Nós temos de 60 a 70 mil latifundiários no país, e eles tem 300 deputados. Nós temos 4,5 milhões da agricultura familiar com 12 representantes. Por isso, a nossa luta para mudar, fazer uma reforma política que tenha financiamento público de campanha, que muitas vezes é mal entendido pela população. A nossa democracia vem se consolidando, de eleições em eleições. São 25 anos de Constituição, de democracia plena. Mas é preciso aperfeiçoá-la.


As fronteiras agrícolas do Brasil se expandiram pro centro oeste e para o norte, o arroz está sendo produzido em outras regiões, nós não temos mais espaço para a produção de grandes rebanhos. Isso deu uma quebra em toda a indústria, e houve uma mudança na matriz econômica, e com isso uma depressão econômica. Penso que, agora, com esse processo de industrialização no RS como um todo, não só nessa Região, e o Polo Naval, que é o aproveitamento de um recurso natural, teremos uma vantagem comparativa muito grande. As universidades já se voltaram para a área da especialização. A indústria naval do Brasil já tinha sido a segunda maior do mundo, e deu para trás. Hoje nós estamos com 120 mil trabalhadores de todo o país só na indústria naval. Para o Pampa, isso é uma maravilha. Nós temos encravada uma usina de carvão, que é obsoleta e uma grande contribuição de CO2 para a atmosfera. Nesta região, temos potencial eólico, equivalente a duas usinas de Itaipú. Nós temos não só que implantar os aerogeradores, mas trazer os fabricantes para a região.


Tem ainda o tema do desenvolvimento da agricultura familiar. Nossa região é de agricultura familiar, seja de pequeno ou grande porte. Faço esse destaque porque a agricultura industrial, o agronegócio sempre teve financiamento, oportunidades, ao contrário da agricultura familiar. Hoje não. As políticas públicas do governo federal e agora também do governo do Estado, na Região, tem tido um resultado importantíssimo na agricultura familiar, que é de onde vêm 76% do que consumimos na mesa. Se não quer ter inflação tem que ter produção.


JTR: Como avalia a atuação do governo do Estado e as ações do governo brasileiro?


Fernando Marroni: A minha geração tem dificuldades de identificar um outro momento como este que estamos vivendo no país. O Brasil sempre foi uma grande potência, um país rico. Mas sempre foi um país de muitos pobres, miseráveis e excluídos. Nos últimos 10 anos, todas as turbulências internacionais abalaram pouco o país, porque o Brasil se voltou para o seu povo. Quando fazemos o Luz para Todos de um lado, na outra ponta temos que fabricar geladeiras e televisores, porque é a primeira coisa que as pessoas vão consumir. Então uma política está vinculada a outra. O grande mérito do presidente Lula e do projeto político do PT foi se voltar para elevar a renda, dividir a riqueza e poder produzir mais. Nós vivemos em um país de pleno emprego. O salário mínimo, que era de cerca de 70 dólares, agora é de 325 dólares, e nós temos que chegar a mil dólares. Um país que é a quinta economia do mundo tem que ter um salário de mil dólares. As políticas sociais de inclusão que começaram com o Bolsa Família e que hoje incluem o Pronatec e o emprego após a capacitação, tem feito uma mobilidade social muito importante para o país. A abertura de oportunidades para os mais pobres poderem acessar os cursos técnicos e as universidades eu também atribuo a algo de futuro para o país, que teve uma mudança considerável nessa mobilidade social.


O grande desafio que o Brasil tem hoje são suas obras de infraestrutura para diminuir o custo do país. Outro dia vi em um jornal que está vindo soja de Mato Grosso e Tocantins para sair aqui em Rio Grande. Não é possível que não tenha um porto mais próximo, ou um trem. Se quisermos ter a mesma infraestrutura de transportes que tem os EUA ou que tem a Europa, nós precisamos de 10 trilhões de dólares, quase 3 PIBs brasileiros. Ou seja, nós vamos demorar muito tempo para chegar lá. Não vai ser assim, estalando os dedos que vamos conseguir, até porque eles levaram muito tempo para conseguir isso também. O grande desafio do Brasil, e que a Dilma tem feito através do PAC 1, 2 e 3, são os termos da infraestrutura, não só em ferrovias e rodovias, por exemplo, mas a infraestrutura para o povo. Saneamento, energia, e Minha Casa Minha Vida. Esses programas são fundamentais para o futuro do país, para a sua reestruturação e novas bases civilizatórias. Principalmente no saneamento, já que 80% das doenças são de transmissão hídrica.


Os aeroportos, agora com a copa, teremos a oportunidade para empatar. Há dez anos atrás, eram 3 milhões de passageiros. Agora estamos com 18 milhões. Não tem como não expandir e crescer. É importante que o governo do Estado acompanhe as políticas. O governo federal, através da Emprapa, e o governo Estadual, através da Emater, tem ajudado bastante, reconstituindo a função do Estado para a agricultura e o desenvolvimento econômico, e está ai o resultado. O RS é o estado que mais cresceu, e é apontado como o nono estado da América Latina para investimentos.


JTR: Quais são as suas expectativas para este ano, considerando que é um ano eleitoral?


Fernando Marroni: A minha expectativa é que possamos continuar com esse projeto que está em andamento no Brasil. Em toda a eleição surge a conversa da autonomia do Banco Central, por exemplo. O Banco Central tem a sua autonomia, mas o Banco Central é o Banco do Brasil, e tem que ter governo sobre o Banco Central. Ele não pode ser governado pelo sistema financeiro, tem que ser governado pelo Estado. E nos 11 anos de governo do PT o Banco Central esteve sobre o governo do presidente ou da presidente, e isso significou políticas econômicas importantes. O Brasil tem hoje uma das maiores reservas do mundo, uma das menores relações dívida-PIB.


As pesquisas estão a indicar. O país tem muitos desafios pela frente, mas o projeto político do PT e seus aliados está dando certo no Brasil e no RS, e a minha expectativa é de vitória, tanto para presidente quanto para governador.


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