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Ano XIII - Número 643 janeiro - 2019

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18-01-2019

Os últimos 10 anos do Brasil de Pelotas: Do luto à luta


Divulgação/G.E.B. Missa em homenagem as vítimas foi realizada na última terça-feira (15)

“Ele tem seu passado de glória, tem o seu nome gravado na história. Brasil, Brasil, Brasil, as tuas cores, são o nosso sangue e a nossa raça”.


Em 1956, ano de criação do hino do Grêmio Esportivo Brasil, não se imaginaria o quanto este trecho faria sentido pouco mais de 50 anos depois. O time, que tem em sua trajetória muitas conquistas, como: participar do primeiro jogo noturno com iluminação, em 1915, em Pelotas; ser o primeiro campeão gaúcho oficial, em 1919; ter o primeiro jogador de clube gaúcho na Seleção Brasileira, Alvariza, em 1920; derrotar a Seleção Uruguaia, fora de casa, na véspera de uma Copa do Mundo, em 1950; e dentre outras, jamais pensou em conquistar a superação de viver a primeira tragédia futebolística, até então, do país. 



O ano era 2008, a luta para subir à Série B do Campeonato Brasileiro teve derrota por um ponto. Era hora de descansar, por pouco tempo, para encarar o Campeonato Gaúcho de 2009. Sob o comando do então técnico, Armando Desessards, o Xavante jogaria apenas um amistoso, uma semana antes de começar a competição. O adversário era o Santa Cruz, no Vale do Sol, onde venceram por 2 a 1. Segundo o então zagueiro, Alex Martins, o clima era de alegria e confiança. “Sabíamos que tínhamos uma bela equipe e iríamos brigar com a dupla Gre-Nal pela disputa do título”, relembra.


O time, que voltava da vitória naquele 15 de janeiro, não imaginava que a viagem não teria fim. Faltando 80 quilômetros para chegar em Pelotas - seu destino -, ao fazer a curva no acesso da RSC-471 à BR-392, no km 150, em Canguçu, o motorista Wendel Oliveira Vergara perdeu o controle devido ao excesso de velocidade e caiu no barranco de aproximadamente 40 metros, equivalente a um prédio de 15 andares. O fato vitimou o ídolo e artilheiro do time, o uruguaio Claudio Milar, o zagueiro prata Régis Gouveia e o preparador de goleiros, Giovani Guimarães, além de ferir quase todos os 31 ocupantes do veículo. 


Um estádio marcado por uma torcida apaixonada, considerada a maior do interior do estado, que entoa seus cantos até o apito final das partidas, foi silenciado pelo luto. Naquela sexta-feira, dia seguinte à tragédia, a Baixada, apelido carinhoso do Estádio Bento Freitas, viveu sua pior perda. O professor e torcedor, Rodrigo Duval, recorda o que considera um dos piores dias da sua vida.


“Quando tem jogo, dá para sentir o cheiro do churrasquinho há duas quadras, é aquela algazarra, o som da charanga, todo mundo feliz. Naquele dia, ninguém falava, não tinha o que ser dito, não dava para acreditar. Eu já saí do Bento Freitas chorando, mas nunca tinha entrado chorando”, lamenta.


Começava então, o pesadelo rubro-negro, com a dor do luto, a necessidade de disputar o Gauchão para ter recursos financeiros para custear as despesas com recuperação de jogadores, comissão técnica, dirigente e funcionários feridos, salários e contratações emergenciais. Para o presidente do clube na época, Helder Lopes, o compromisso moral com os envolvidos e a forma humanitária para lidar com a situação eram prioridades. 


“A partir daí, tivemos que tomar outro tipo de decisão e muitas foram baseadas no instinto, porque nenhum clube tinha passado por uma tragédia dessas no país, ainda mais em início de campeonato, quando está todo mundo empregado. Não tínhamos material humano para buscar a reabilitação no campeonato”, comenta Lopes.


Inevitavelmente, mesmo faltando três rodadas para o campeonato acabar, o time foi rebaixado para a segunda divisão, tendo apenas uma vitória na competição. “Eu preferi inviabilizar uma competição, cair na segunda divisão, ao invés de inviabilizar o clube, que está acima de tudo”, destaca o ex-presidente. 


O recomeço


Os anos que sucederam foram de muita angústia e apreensão para corações rubro-negros. O time quase conseguiu acesso à primeira divisão do Gauchão em 2011, teve seis pontos descontados na Série C devido à escalação indevida do jogador Cláudio (sem saber que o mesmo tinha uma punição para cumprir) - o fato ainda está em litígio na Justiça Comum - resultou no rebaixamento para a Série D do Campeonato Brasileiro. Porém, após contratação do técnico Rogério Zimmermann, considerado ídolo da torcida e maior técnico do clube, em 2012, a esperança voltou. No ano seguinte, conseguiu acesso à Série A do campeonato estadual, disputou pela primeira vez na sua história a Copa do Brasil e consagrou o retorno à Série C em 2014, quando também ganhou o título de campeão do interior - feito repetido em 2015.


Este ano também foi marcante para a Baixada, que está em reforma desde o acidente na partida contra o Flamengo, quando parte da arquibancada cedeu, ferindo levemente duas crianças. Com a conclusão das obras, o Bento Freitas será um dos estádios mais modernos do estado. E para a alegria da torcida, depois de oito anos de espera, o tão sonhado acesso à Série B foi realizado, onde permanece até hoje.


Além disso, em 2018, Pelotas viveu sua primeira final do Gauchão. Contra o Grêmio, o Xavante ficou com o título de vice-campeão e com a taça da Copa Centenário da Federal Gaúcha de Futebol (FGF), que coroava o time com a melhor campanha na primeira fase da competição. Atualmente, o Brasil de Pelotas está disputando a Copa FGF, a primeira divisão do estadual, Copa do Brasil e a Série B do Campeonato Brasileiro. 


O orgulho e a saudade


O único envolvido no acidente que ainda está no clube é o assessor de comunicação, Carlos Insaurriaga, que completou ano passado uma década de casa. Para o publicitário, o amor pelo que faz e pelo clube contribuem para a permanência. “Todos seguiram a vida, mudaram de cidade, de profissão e dos envolvidos, só eu estou no clube até hoje. Fazer o que a gente gosta, onde a gente gosta, me fez ficar no Brasil”, comenta.


O jogador Alex Martins, que também estava na tragédia, encerrou sua carreira em 2012, porém não saiu da vida esportiva. “Me formei em Educação Física, tenho uma academia de hidroginástica, natação infantil e um estúdio de pilates”, conta.


Hoje, passados 10 anos, dois sentimentos vivem no clube: o orgulho pela superação e a saudade daqueles que estão acompanhando as conquistas de outro lugar. Lopes, que renunciou seu cargo em 2010 por motivos de saúde, - sendo sucedido por André Araújo e posteriormente por Ricardo Fonseca, que está à frente do cargo desde 2012 - vê a atual situação com satisfação. “O clube conseguiu, na maior dificuldade da sua história estar numa posição e em um patamar bem além do que 10 anos atrás mostra que todos nós, unidos, temos condições de enfrentar qualquer problema”, comemora. 


E para os seguidores, a sensação não é diferente. Rodrigo Duval acredita que os feitos são frutos de uma boa gestão tática e administrativa, mas também da união dos torcedores. “A dor nos uniu, nos tornou ainda mais apoiadores”, analisa. 


Além do orgulho, outro sentimento também se faz presente. Ele relembra saudoso suas idas para os treinos aos sábados, pela manhã, onde convivia com o Milar amigo, jogador e pai. 


“Tenho nítida a imagem dele com Martin (filho do jogador) no colo durante os treinos e o mate na mão. Eu tenho muita saudade do Milar, pelo que ele representou para o clube, pela pessoa que era. Duvido um torcedor nunca ter orado por ele durante um jogo”, finaliza emocionado.


O local do acidente nos 10 anos


Segundo o chefe da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Pelotas, Fabiano Goia, após o acidente com a delegação do Brasil de Pelotas, houveram mais 21 ocorridos. O km 150 do acesso a RSC-471 à BR-392, em Canguçu, registrou neste período quatro óbitos (três no acidente com o Xavante), 39 feridos (28 no mesmo acidente). Dentre as principais causas: o excesso de velocidade e a falta de atenção.


“Se o condutor observar a sinalização viária, conseguirá realizar o deslocamento com segurança, devendo respeitar o limite de velocidade de 40 km/h. Neste sentido, conforme dados estatísticos e avaliação que constantemente realizamos, se observa que os acidentes ocorrem quando de fato há ação indevida que envolve o fator humano”, conclui.


Redator: Tradição Regional



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