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Ano XIII - Número 643 janeiro - 2019

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Ano XIII - Número 643

janeiro - 2019


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Cultura e Turismo

19-09-2014

História da Revolução Farroupilha permanece viva em Piratini


Foto: Tainã Valadão Casa onde morou Garibaldi e funcionou o jornal “O Povo”

Considerado o fato histórico mais marcante do Rio Grande do Sul, a Revolução Republicana que pretendia tornar o Estado independente e desliga-lo das demais províncias do Brasil, teve grande influência da Revolução Francesa, que ocorreu de 1789 à 1799.


Os episódios que antecederam esta decisão são inúmeros, porém é necessário frisar alguns, como o alto custo de produtos exportados da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, como o charque, a graxa, o couro, e tantos outros, que eram taxados com impostos abusivos pelo Império.



Além disso, um presidente da província que defendesse os ideais rio-grandenses também era outro clamor dos revolucionários. Na memorável noite do dia 19 de setembro de 1835, José Gomes de Vasconcelos Jardim, Onófre Pires e outros líderes republicanos, rumaram de Pedras Brancas (atual município de Guaíba) em direção a Porto Alegre, conquistando a cidade e depondo o presidente Antônio Fernandes Braga, que fugiu para Rio Grande.


Menos de um mês após esse episódio, mais especificamente no dia 8 de outubro de 1835, as forças republicanas formadas por mais de 100 homens, comandadas por Antônio de Oliveira Nico, tomaram a cidade de Piratini, rendendo e destituindo as autoridades imperiais. O presidente da Câmara de Vereadores, Vicente Lucas de Oliveira, aderiu à causa e permaneceu em seu cargo. Outros, como o juiz de paz na época, Comendador Fabião, foram destituídos.


A partir daquele momento, intensificavam-se na vila de Piratini as forças liberais, comandadas pelo famigerado general Bento Gonçalves da Silva. Posteriormente, após a proclamação da República Rio-Grandense, o presidente interino José Gomes de Vasconcelos Jardim, elevou-a a categoria de cidade, status que teve até o final da guerra, quando retornou a ser considerada como uma vila por mais 92 anos.


A partir desta elevação proposta por Jardim, a cidade abrigou a sede do governo da República Rio-Grandense, servindo como moradia para oficiais de alto nível, como o próprio Bento Gonçalves, Antônio Fonseca de Souza Neto, Joaquim Teixeira Nunes, Giuseppe Garibaldi, Luigi Rossetti, entre outros.


Atualmente, muitos destes prédios construídos no século XIX permanecem em bom estado, fomentando o potencial turístico de Piratini. Alguns destes, foram agraciados com projetos de restauro, como é o caso do Museu Histórico Farroupilha, construído em 1819, onde supostamente possa ter funcionado o Ministério da Guerra e Interior.


Ao total, de acordo com o livro Centro Histórico de Piratini – Preservação e Valorização, de Ceres Storchi e Vlademir Roman, na cidade existem três prédios tombados pelo Instituto de Património Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que além do museu, são a Casa de Garibaldi e o Palácio do Governo Farroupilha.


Já pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), são 15 edificações tombadas. 33 locais ainda tem tombamento pelo município, incluindo a Casa de Camarinha, construída aproximadamente em 1789 e considerada o primeiro prédio da povoação de Piratini, que pertencia a Antônio José Vieira Guimarães.


Onde existe hoje a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, foi construída a primeira capela da povoação, sendo a mesma finalizada no ano de 1814. Quando eclodiu a Revolução Farroupilha a capela estava quase concluída, mas uma das torres ameaçava ruir, sendo então demolida.


O sobrado que encontra-se na rua Bento Gonçalves com a parte superior revestida de azulejos, pertenceu ao primeiro presidente da Câmara de Vereadores, Vicente Lucas de Oliveira. Durante a revolução, o local serviu como Ministério da Justiça e da Guerra.


A Casa de Garibaldi é um dos três prédios a ter tombamento federal. Além de abrigar o afamado italiano considerado o “Herói de Dois Mundos”, no local funcionava, ainda, o jornal oficial da República “O Povo”, que teve a primeira edição lançada de Piratini, em 1º de setembro de 1838. “O Povo” era produzido por Luigi Rossetti, outro italiano carbonário que valorosos serviços prestou a República Rio-Grandense.


No prédio construído por Manuel Jacinto Dias em 1826, funcionou o Palácio do Governo Farroupilha. Atualmente, o local abriga a Secretaria de Cultura e Turismo e o Museu Municipal Barbosa Lessa.


Chefe da Legião das Guardas Nacionais da Comarca de Piratini e Proclamador da República Rio-Grandense, o general Antônio Fonseca de Souza, o “Neto”, também foi uma figura ilustre no berço farrapo. O local onde ele residia encontra-se totalmente descaracterizado, o que frustra visitantes e piratinienses.


Em suas memórias escritas por Alexandre Dumas, Giuseppe Garibaldi descreve a cidade de Piratini.


“Piratini é realmente um dos mais belos lugares do mundo; dividida em duas regiões: uma de planícies e outra montanhosa. O viajante não tem precisão de dizer  nem de pedir coisa alguma; entra em qualquer habitação, vai direto a câmara de hóspedes; os criados aparecem sem que sejam chamados, descalçam-no e lavam-lhe os pés. Fica ali quanto tempo quer e, quando lhe apetece, retira-se sem despedir-se nem agradecer; e apesar desta descortesia, outro que venha depois dele não é recebido com menos aguado. É a juventude da natureza, o erguer da humanidade.”


No mês de setembro, quando a cidade realiza a tradicional Semana Farroupilha, os visitantes são recebidos com a mesma hospitalidade de séculos anteriores, pois a amor pelo Rio Grande permanece vivo e pulsa na alma de cada piratiniense.


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