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2018-07-06 A Floricultura da Vânia

A Vânia trabalhou conosco durante um ano. Chegou no dia 1º de junho de 2017 e, no dia 12 de junho deste ano, ainda esteve conosco pela manhã. À tarde, um ataque fulminante do coração a levou. Cuidava da casa e, em especial, da mãe, dona França, com quem disse que aprendeu a lidar, dizendo ter sido uma escola pois não a infantilizava e tudo o que a idosa de 93 anos precisava era feito de comum acordo.

Era noite de Inverno quando o Reinaldo e a Clésia trouxeram a senhora que, segundo eles, preenchia os requisitos de ser alguém de meia idade e com espírito religioso. Não me importava o seu credo, mas que tivesse princípios ligados a uma fé e que não tentasse fazer “conversões”. Depois, reconheci ao casal que havia sido uma bênção: os cuidados com a casa, a mãe e o pátio ajudaram a transformar a moradia em um lar.

Com a família fui saber que o problema com a coluna que a levara a diminuir a atividade era uma desculpa. Na verdade já sabia que não poderia trabalhar, o coração não permitia. Mas não queria nos deixar. Até o fim, queria continuar fazendo alguma coisa, estando presente em nossas vidas como um anjo designado por Deus.

Fui conhecendo sua história e sua vida na Igreja Quadrangular. Atenta, comentava o que ouvia nos cultos, nas pregações, nas ceias. Também queria aprender para motivar as senhoras do seu grupo. E mantinha um espírito de oração com um cantinho da casa reservado para momentos especiais, onde alimentava a sua ação.

Brincava que um dia ainda chegaria em casa e encontraria uma placa: “Floricultura da Vânia”. Que pena, não chegou a este ponto. O primeiro texto que escrevi que dizia “vai fazer falta” foi da Vera, esposa do Chico. Acho que estou ficando acostumado a usar esta expressão. Não que ela me deixe triste, ao contrário, tem sido sempre para pessoas especiais que deixaram marcas em suas famílias, nas comunidades e em nós. 

São Pedro vai ter problemas nos céus. Naqueles lugares por onde as pessoas passavam e sempre viam as mesmas coisas, aparecem flores, verdes, um pouco da natureza mostrando o quanto tem de especial. Pelos dedos de quem trata com carinho de uma alameda, um passeio, um pátio, escorre uma fé profunda e um sentido místico.

Olho para o céu e sei que um dia verei uma trepadeira abrindo caminho por entre as nuvens. Deve ter o dedo da Vânia. Acolhida, encontrou o seu lugar: uma estrela que nunca quis brilhar sozinha, mas enche o Céu de vida e de cores. A Vânia vai fazer falta... Infelizmente, as “Vânias” já não estão mais na moda. Mas sem elas, com certeza, os pátios são mais tristes, os jardins mais sem graça e até o galho de flor roubado como muda em meio ao caminho perde o seu sentido.  

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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