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2017-05-02 Baleia azul: um jeito perverso de iludir

Na vida, há brincadeiras... E brincadeiras. Só que o jogo “baleia azul” não é uma brincadeira, mas um crime. Que existem espaços de entretenimento nas redes sociais de gosto duvidoso, existem. O problema está na capacidade da criança em fazer o discernimento do que é bom ou a tentação em burlar a segurança que os responsáveis deveriam ajudar a estabelecer e observar.

Estes produtos de imaginação criminosa apelam para o sentimento de solidão, apatia e a insegurança própria de quem, mais do que passar para trás o controle de adultos, não encontrou uma referência que lhe desse a segurança necessária para entender os limites da própria liberdade.

Num destes “programas” de cuidar de sobrinhos, chamou a atenção desenho do “Bita” em que uma nave (objeto de adulto) precisa da imaginação (que se convencionou ser infantil) como combustível para voar. Analogia perfeita: um desenvolvimento consciente e equilibrado depende da criança ampliar sua capacidade de sonhar e do que os adultos ajudam a construir no período de formação da personalidade.

Incentivar a imaginação não é fugir da realidade. A fuga tem como resultado uma vida triste e deprimida. A imaginação é o combustível para se projetar o futuro, em alguns casos, sair de um presente difícil, alimentando a esperança. Falhamos com estes jovens. Tornaram-se reféns da amargura, não conhecem suficientemente suas famílias e as famílias não os conhecem. Assim como seus educadores.

Estes e outros jogos são apenas a ponta de um iceberg. Sinalizam que alguma coisa anda errada e não basta coibir o acesso às redes sociais. É necessário restabelecer as pontes e os caminhos que, em algum momento, ruíram. A mãe de uma garota reconheceu: obstáculos foram sendo colocados de ambas as partes. “Nenhuma de nós teve coragem de ser a primeira a estender a mão”. Ou dar o primeiro beijo.

Os cristãos repetem que o primeiro elo a ser restabelecido é o da família, onde se recebe carinho e uma palavra de atenção, suficiente para saber que não se está só. O diferencial para não se sentir deprimido ou buscar aventuras solitárias, que, no jogo “baleia azul”, em alguns casos, chegou à mutilação e perda da própria vida. 

Um alerta preocupante de que, na omissão dos educadores (família, escola), outros ocupam estes espaços num jeito perverso de iludir. Pior do que ser enganado e sentir isto na própria pele - para o jovem e a criança - é não vislumbrar no seu horizonte algo que o faça feliz. E alguém que lhe estenda a mão. Pelo simples fato de que o ama.

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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