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2012-07-06 Paraguai, Brasil e uma América em transe

 

Não é surpresa que o que pensamos dos Estados Unidos, enquanto colonialistas, os demais países da América do Sul pensam de nós, Brasil. Em síntese, os Estados Unidos nos consideram como o seu quintal, em todos os sentidos, desde laboratório político até seus dejetos. Pois nossos vizinhos têm a mesma impressão a nosso respeito: jogamos com nossos interesses para aproveitar o melhor deles.

O caso recente do Paraguai é simbólico: tanto Brasil, quanto Argentina, querem dar lição de "democracia" aos hermanos paraguaios, fazendo interpretação de sua constituição e, até, intervenções diretas - negação do Paraguai de participar de eventos no continente - o que, se vindo do hemisfério Norte, seria considerada uma ingerência inconcebível.
A fragilidade da democracia no continente é flagrante. Os grupos - militares ou civis - que controlam o poder, especialmente o econômico, mostraram suas garras no Paraguai, o que deixou muita gente preocupada com o que pode acontecer do lado de cá da fronteira. Ninguém pode garantir que a democracia esteja consolidada em todo o continente, especialmente quando interesses escusos estão sendo protegidos.

O papa João Paulo II afirmou que o conceito de "democracia" servia para encobrir muitos interesses. No caso do Paraguai, o presidente Lugo jogou com o desgosto do povo para se eleger, sem o apoio do Congresso, controlado majoritariamente, pelo Exército e poder econômico. Quando não mais lhes serviu, urdiram o golpe, que já vinha sendo orquestrado há alguns meses, e o desfecho se deu de forma abrupta.

A banca já aceita apostas: quem será o próximo? Não é uma questão de pessimismo, mas, sim, de olhar com frieza para o quadro que temos no continente. Há países consolidados, mas também temos fanfarrões que ocuparam espaços no vácuo do pessimismo em que se encontram populações desiludidas com os políticos. Não me parece que seja um quadro evolutivo: ganhos econômicos em alguns setores nem sempre fecham com um regime que deveria ser amplo, democrático e participativo.

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Manoel Jesus

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