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Ano XIII - Número 612 junho - 2018

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Ano XIII - Número 612

junho - 2018


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Versão do Fato

2017-03-13 A diferença que dá sabor à amizade

Duas crianças: uma negra, a outra branca. Resolveram fazer uma “pegadinha”. O branco iria raspar a cabeça para ficar “igual” ao amigo negro. Com isto, pretendiam enganar a professora. Criariam uma confusão, porque, acreditavam, ela não saberia quem era um, qual era o outro!

Além de ser um vídeo “fofuxo”, daqueles que dá vontade de pegar e amassar num abraço as duas crianças, deixa a certeza de que - embora alguns defendam - o espírito de discriminação não é algo com o qual se nasce, mas elemento cultural aprendido, especialmente no ambiente familiar e no meio onde se firmam os valores.

A cor, o sexo, a religião, a deficiência física e mental já se prestaram para muitos absurdos. Mas o que se retransmite como valor é aquilo que se bebe dos primeiros anos em que se ouve como verdade o que nossos pais e aqueles que convivem conosco repassam. Depois, até podem acontecer algumas “conversões”, mas com bem mais dificuldades e eivados de preconceitos.

Um exemplo é o quanto se fala para que os jovens assumam a homossexualidade. O discurso é bonito. A prática, muitas vezes, é um desastre. Já ouvi de pessoa relativamente esclarecida falando em grupo que achava honesto e corajoso que o filho de um amigo se assumisse como gay. Depois, em conversa reservada, pregou o rótulo: “o bixinha já devia ter saído do armário há mais tempo”.

Qualquer mudança que desejarmos fazer em sociedade passa por se redescobrir o valor da moral. E a sua prática, sendo um dos seus elementos básicos o respeito. O “falsinho” que faz o discurso politicamente correto, mas rotula pelas costas, prega, literalmente, “a moral de cuecas”.

Há um engano ao não se insistir com as crianças a respeito de valores religiosos. Esta forma de pensar afasta os jovens não apenas da religião, mas de todos os demais valores que se agregavam. A confusão estabelecida hoje existe porque nós, adultos, deixamos de cumprir nosso papel: indicar o melhor caminho e insistir para que o seguissem. Desta forma, podíamos nos enganar, mas não pecávamos por omissão.

A brincadeira do menino negro e do menino branco não é fruto apenas da sua imaginação. Em casa e com os amigos deve haver um ambiente onde este preconceito não está presente. No olhar que um dedica ao outro e no jeito como dão e recebem carinho há uma diferença que dá sabor à amizade. Augusto Cury tem razão: “O sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças”.

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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