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2017-02-20 Jovens “formados demais”

Um dos elementos mais nefastos da crise vivida no Brasil diz respeito à educação. Infelizmente, são tantos fatores pipocando em áreas como a política, economia, saúde e segurança que deixamos de lado a preocupação com aquilo que já deveria fazer a diferença para construir o presente e, especialmente, a capacidade de mudar o futuro.

Todos os países que enfrentaram problemas semelhantes aos nossos somente encontraram um caminho diferente quando fizeram um pacto pela ética do cidadão, o que passa, obrigatoriamente, por colocar a educação num novo patamar. 

O modelo atual mostrou-se inconsistente. Não atende àquilo que é necessário para iniciar a formação do cidadão, não consegue fazer produtiva a sua qualificação profissional e, muito menos, traçar um perfil adequado para uma formação acadêmica.

Um sobrinho apresentou currículo para vagas e foi desconsiderado. Lá pelas tantas conseguiu saber por quê: tinha muita formação (especialização) para vaga que exigia apenas conhecimento técnico (também cursara, com registro em carteira).

Dois outros casos contados por pessoas diferentes variavam um pouco na forma, mas mantinham a essência: procuraram emprego, apresentavam bons currículos, mas foram dispensados porque sabiam demais!

Como assim? Quem acompanha jovens em fase de preparação para o trabalho sabe o quanto é necessário motivar para que não desistam. Os familiares, especialmente, fazem das tripas coração para incentivar e fazê-los ver que, ali adiante, a boa formação pode fazer a diferença na hora de se candidatar a uma vaga.

As coisas se inverteram. Jovens formados que, por não conseguirem colocação melhor, buscam continuar no mercado ocupando vaga apenas técnica. Descobrem que, pelo discernimento de algumas áreas de recursos humanos, estão “formados demais”!

Confesso que pensei já ter visto tudo. Mas não vi. Não há nenhuma explicação plausível para que alguém com mais formação não possa ocupar uma vaga em que é necessário “colocar a mão na massa”. 

Se assim o fizer, quando aplicar o que aprendeu em sua especialização ou mestrado profissionalizante será com maior conhecimento de causa, valorizando quem ainda o faz. Alguns educadores brincam: “na prática a teoria é outra”. E que o trabalho pode ser uma maldição, se for apenas um jeito de pagar as contas; mas uma bênção, se feito com prazer e parte da própria realização.  

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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