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2017-01-09 Dilemas de Ano Novo

O calendário da Editora Paulinas de 2017 inicia citando um provérbio árabe: “deixa o teu coração seguir à tua frente e procura alcançá-lo”. Boa receita para quem está em dúvida com relação ao que possa acontecer, afinal, quando as racionalizações mostram dificuldade em atender aos nossos propósitos, ainda podemos contar com um horizonte mais amplo, onde se valoriza sentimentos, respeito e empatia.

Por tudo o que acompanhamos pelos meios de comunicação, 2016 não deve deixar saudade - já vai tarde. Não é bem assim. Para algumas pessoas - uma delas até pediu pelas redes sociais que houvesse um 2016/2, mesmo sabendo das dificuldades que o país enfrenta - há componentes pessoais que intensificam os sentimentos de melhor ou pior. Recém chegados à família detonam tietagem explícita por amigos e conhecidos. E as perdas, especialmente de familiares, ampliam os laços de solidariedade.

Seu Manoel, meu pai, quando alguns afoitos colocavam na roda conversas sobre fim do mundo, era pragmático: “o mundo acaba para quem morre”. Sempre ressaltava que o melhor era viver. Não dizia, mas ficava implícito aquilo que sempre fez muito bem: para viver - e viver bem - há regras básicas a serem repassadas, especialmente com os dilemas de Ano Novo: cuidar de si mesmo e daqueles que estão à nossa volta.

Todos sabemos o que fazer para cuidar da saúde física, emocional e espiritual. Infelizmente, no dia a dia, esquecemos de coisas óbvias. O mandamento básico, para os cristãos, é: “amar a Deus sobre todas as coisas. E ao próximo como a si mesmo”. Aí está uma síntese capaz de realizar plenamente uma pessoa. Por incrível que pareça, muitos procuram fórmulas de atender a espiritualidade (“amar a Deus”), ser solidário (“e ao próximo...”) e esquecem que sem a última (“como a si mesmo”), as duas anteriores se tornam difíceis, para não dizer impossíveis.

Os maiores desafios não aparecem com dilemas religiosos ou políticos, mas bem mais próximo: família, vizinhos, amigos. Todo o amadurecimento parte da consciência de que é mais difícil praticar a justiça - e ser cristão - em casa, na rotina diária, do que discursando sobre mudanças sociais.

Na ânsia por conquistar um espaço físico de vivência - casa - esquecemos que deve ser um espaço para recarregar as baterias para a vida. Afinal, como dizia uma das atrizes do seriado produzido pela National Geographic “Marte”, “casa é um objeto inanimado, lar é um sentimento”. São valores que, muitas vezes, nos damos conta apenas quando perdemos. Alguém já definiu: “ter um lugar para ir é lar. Ter alguém para amar é família. Ter os dois é uma benção”.

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Manoel Jesus

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