Domingo, 22 de abril de 2018, 22:25h


Publicidade

Sicredi
Trilegal
  Tordilho

Este conteúdo precisa do Adobe Flash Player instalado.

Get Adobe Flash player


Newsletter

Jornal Tradição

Ano XII - Número 604 abril - 2018

Fechar X

Ano XII - Número 604

abril - 2018


Galerias

Publicidade

Especiais

Jornal Tradição

Caderno Especial 134 anos de São Lourenço do Sul 2018/04

Assine


Home Colunistas

Versão do Fato

2012-06-22 A dignidade de envelhecer

 

Em muitas áreas do conhecimento humano – sociologia, política, religião – seguidamente se fala em “dignidade humana”. Conceito amplamente difundido é o de que as pessoas têm direito à sua autonomia e o respeito para que exerçam o poder de decisão naquilo que não prejudica a outros. Embora a teoria seja interessante, como em todos os grandes temas, o problema acaba sendo a prática.

Falar em dignidade humana para classes mais abastadas é diferente de falar para pessoas em situação de pobreza. Para os primeiros, há conceitos filosóficos e opções ideológicas decididos em mesas faustas ou ambientes climatizados. Para o segundo grupo, o direito de trabalho, alimento à mesa, ensino, tratamento médico, lugar para viver.

Há dois anos, acompanho meus pais no seu processo de envelhecimento. Meu pai declarou câncer em maio de 2010 e, a partir dali, tomamos lições do quanto a vida pede em troca, quando, sobreviver, não é apenas um ato pessoal, mas precisa ser compartilhado. Depois da partida do pai, o processo continuou com a mãe, na busca por uma vida digna que inclua cuidadores e o direito a fazer opções.

Amigos falam da forma como tratamos os dois casos e ficam claras algumas coisas: quando olho nos seus olhos e explico em detalhes o que estou servindo em seu prato, não estou determinando um cardápio, mas estimulando a que tenham prazer em estar à mesa. Quando dou a mão para andar, não estou direcionando seus passos, mas, sim, que possa tomar seus próprios caminhos e ir mais longe. Quando cobro das pessoas para que não façam as coisas por eles, não é para negar algo, mas sim para que seus pequenos esforços estimulem corpo e mente a superar as próprias limitações.

A dignidade para envelhecer não está apenas em acompanhar um idoso, mas buscar uma cultura onde, num futuro, o mesmo possa acontecer conosco. Cercear liberdade é o mesmo que matar alguém, aos poucos, em vida. Acompanhar pequenas fraquezas e tentar superá-las é usufruir do prazer que a vida dá em sermos interdependentes e de que cada pequeno ato vale a pena quando os passos andam juntos. E na mesma direção.

Comentários (0)





Fechar  X

A dignidade de envelhecer




Enviado com sucesso!

Em breve, o Jornal Tradição
Regional entrará em
contato com vocé.

ok

Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

Arquivo

Publicidade

Publicidade



Jornal Tradição Regional - O elo da notícia até você.

Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS

E-mail: jornaltradicao@jornaltradicao.com.br / Telefone: (53) 3281 1514

© Todos os direitos reservados