Domingo, 24 de junho de 2018, 09:40h


Publicidade

Trilegal
Sicredi
Tordilho

Este conteúdo precisa do Adobe Flash Player instalado.

Get Adobe Flash player


Newsletter

Jornal Tradição

Ano XIII - Número 613 junho - 2018

Fechar X

Ano XIII - Número 613

junho - 2018


Galerias

Publicidade

Especiais

Jornal Tradição

Caderno Especial 161 anos de Canguçu 2018/06

Receitas

Sopa paraguaia

Assine


Home Colunistas

Versão do Fato

2016-11-21 O direito de envelhecer com segurança

Houve um tempo em que se podia centrar a atenção em um problema do cotidiano porque os demais, se não iam bem, ao menos se arrastavam razoavelmente. Nesta dança sem graça passaram a saúde, educação, conservação das cidades e a segurança.

Infelizmente, ainda não vimos solução para nenhum deles, mas alastra suas asas sobre a sociedade a insegurança e, mais ainda, a sensação de impotência por não se poder fazer alguma coisa e nem que exista alguém fazendo algo mais do que boas entrevistas ou lances de marketing.

Todos já tivemos pessoa próxima que foi vítima ou, na sua iminência, necessitou de suporte negado por falta de pessoal ou instrumental necessário. As histórias se repetem, mas uma é a certeza: o cidadão sai para as ruas preocupado ou se encarcera dentro de casa, enquanto vê  passar pelas ruas potenciais delinquentes, preferindo não arriscar.

Dona Zola mora num edifício de classe média baixa. Da sacada do apartamento vê a pracinha onde levava seus filhos e, depois, os netos. Agora está vazia. Um bando de jovens se reúne para consumir drogas e fazer arruaça. Num dia, viu o grupo bater num menino que passava. Foi até a entrada e pediu ao porteiro que tomasse providência.

Ele, sem graça, disse que se fizesse alguma coisa os jovens se voltariam contra os moradores. Esperaria que fossem embora e atenderia ao menino. Tentou argumentar, mas sabia que era assim. A lei das ruas: “te mete com a gente, a gente te encontra”.

Voltou para a janela, o garoto já tinha ido embora. Ficou uma ferida em dona Zola. Já fora assaltada na saída de um supermercado, por garotos, quase crianças. Não tinha mais coragem de sair da segurança das grades que cercavam o condomínio, muitas vezes ainda ouvindo da rua as gracinhas sobre a sua idade.

Sentiu falta do tempo em que andar nas ruas era direito sagrado e se tornar um idoso uma distinção que poucos tinham merecimento e garantia respeitabilidade. Ouvira notícias de que, além de assaltos, havia chacinas de grupos, pessoas decapitadas ou mutiladas.

Enquanto isto, pelo radinho, autoridades fazem discursos de estudos, grupos sendo formados, mais homens nas ruas. Mas foram muitas gerações até se chegar onde estamos. Infelizmente, as mudanças não vão acontecer a curto e médio prazo.

Dona Zola não vai mais sair à noite no verão. Triste, viu na televisão as falcatruas, roubos, impunidade. Aí inicia o problema: uma sociedade tolerante e omissa esqueceu a sua melhor base - se crianças e jovens estão vagando pelas ruas é porque falhamos. Sentiu pena de não ver concretizado o que disse Charles Chaplin: “sonho com um mundo bom que a todos assegura o trabalho, que dê futuro à juventude e segurança à velhice”.

Comentários (0)





Fechar  X

O direito de envelhecer com segurança




Enviado com sucesso!

Em breve, o Jornal Tradição
Regional entrará em
contato com vocé.

ok

Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

Arquivo

Publicidade

Publicidade



Jornal Tradição Regional - O elo da notícia até você.

Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS

E-mail: jornaltradicao@jornaltradicao.com.br / Telefone: (53) 3281 1514

© Todos os direitos reservados