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2016-10-31 A palmada que faltou

O pai alcançou o dinheiro para comprar o ingresso. O atendente informou: "crianças até seis anos não pagam". O pai respondeu, com o filho atento ao lado: "Ele tem sete anos". O atendente: "se o senhor não tivesse dito eu teria pensado que tem menos e o senhor teria economizado o ingresso". Sorrindo, o pai completou: "mas eu saberia que tinha mentido e, pior, meu filho pensaria que, se o pai mente, ele também pode mentir".

A história é simples, mas mostra o papel que um educador exerce na vida de uma pessoa. E aqui estou falando de pais, professores, padres, pastores, lideranças... Aqueles que, de alguma forma, colaboram na formação do caráter de alguém, com a definição dos seus princípios éticos e morais.

A lembrança me veio assistindo ao noticiário sobre o ex-deputado Eduardo Cunha, com a prisão já esperada e que se tornou emblemática da necessidade que temos de refluir o poço em que foram lançados todos os principais valores, causando os problemas que hoje enfrentamos na educação, saúde, transporte, etc. por má administração e o desplante com que políticos utilizam dos recursos públicos em benefício próprio.

Deputados não surgem do nada. Foram votados, portanto, é bom repetir: o eleitor também é responsável por aqueles que hoje desviam somas inimagináveis, que, bem utilizadas, melhorariam substancialmente todas as áreas de atendimento à população.

Mas aqueles que foram eleitos também têm - ou tiveram - educadores. Que não perceberam um desvio de conduta, em algum momento, e valores foram deixados de lado. O momento em que, esgotadas todas as alternativas, uma "palmada pedagógica" poderia delinear o melhor caminho.

Olhar as sacanagens praticadas, as negativas de envolvimento - com provas apuradas - e quando, próximo da prisão, limpa as contas onde reuniu subornos e propinas, sabendo que o seu rastreamento é só uma questão de tempo, mostra o quanto estes criminosos se julgam acima da lei. E bate o descrédito.

Conversando com quem foi beneficiado com uma "palmada pedagógica" sei que ela funciona como um divisor de águas. Não precisa ser física, mas um “basta” sério delimitando a diferença entre o certo e o errado. O que faltou para alguns políticos. Se os educadores não o fizeram, o voto deveria ter feito. E, se não o fez, a Justiça está dando uma segunda chance para redefinir os caminhos da nossa combalida cidadania.

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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