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2016-06-20 Depressão: um triste mergulho na solidão

Era uma pessoa alegre e expansiva num dia; no seguinte, o rosto estava marcado por uma noite mal dormida e as lágrimas haviam deixado sinais. O inchaço demonstrava que alguma coisa estava mal. De contragosto, o reconhecimento: tivera uma crise depressiva. Não precisou muito tempo para que deixasse o jeito de pessoa radiante para demonstrar a vivência de uma das mais incômodas doenças da sociedade moderna.

A depressão se caracteriza por mudanças no humor e perda de sentido em atividades cotidianas, antes prazerosas ou motivadoras. Minha conhecida tinha tudo isto: dizendo que alcançara uma profunda tristeza, falta de motivação e muito, muito desânimo.

20% da população mundial já teve depressão. Este distúrbio do sistema nervoso ocorre mais em mulheres do que em homens. Mas não é tão fácil delimitar sinais, sintomas e consequência: entendidos falam de fatores psicológicos e sociais (perda da pessoa amada, fim de um relacionamento e demissão), fatores biológicos (alterações nos níveis de neurotransmissores ou hormônios) e uso de alguns tipos de remédios.

Quem acompanha alguém que chega ao estágio mais difícil sabe que parte o coração ver um ser querido que se atrapalha entre desejar estar só e dar um mergulho mortal na solidão. Uma amiga dizia que era “alguém triste” e que apenas a medicação a mantinha no pique. Conversamos um pouco e lhe disse que não. Não existem “pessoas tristes”. No máximo, pessoas que, durante algum tempo, ficam tristes, mas que o ser humano não foi feito para mergulhar permanentemente na dor, mas para viver saudáveis momentos de felicidade.

De quem está próximo, a grande sacada é manter a pessoa ocupada, dar-lhe tempo para que respire só, mas não deixar que se isole, por mais que seja tentador. Na receita para alcançar a superação da crise está a capacidade de voltar a cuidar de si, encontrando nos seus espaços aquilo que lhe agrade e satisfaça, sem a preocupação de agradar aos outros.

Durante algum tempo, as pessoas tinham vergonha de dizer que estavam em depressão. Hoje, com as informações que se tem, o primeiro passo para vencer uma crise é reconhecer que ela existe, facilitando muito se a pessoa falar o que está sentindo. Mal comparando, é como alguém que gosta de jardim: há plantas que são mais sensíveis, estas precisam de atenção permanente. Algumas são mais toscas, precisam que lhes dê o elementar, como água, luz e poda. E outras que subsistem apesar de nós.

Alguém propício à depressão merece cuidado permanente, sem ser sufocado. Basta encontrar a dose certa entre mantê-lo próximo e permitir que respire sua individualidade. Carinho, amor, afeto, fazem parte do “caldo de galinha” para minimizar uma crise. Ela mesma tem que encontrar seus caminhos. Augusto Cury tem razão: “Nunca despreze a pessoa deprimida. A depressão é o último estágio da dor humana”.

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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