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2016-03-28 Pedro: o mundo era sua estrada

A Semana Santa tem uma série de personagens que merecem atenção quando se acompanha a jornada marcante que vai da chegada de Jesus em Jerusalém - domingo de Ramos -, passando por um tempo de tristeza e consternação vivido na noite de quinta-feira e ao longo de toda a sexta-feira, com a prisão e morte; e a alegria de seus seguidores ao se confirmar a profecia: no domingo de Páscoa Jesus ressuscitou!

O Ano Litúrgico da Igreja Católica tem no Evangelho de Lucas a preocupação em iluminar a história e suas reflexões. Escrito cerca de 30 anos depois da morte de Jesus, Lucas conversou longamente com São Pedro até completar o quadro dos sentimentos, frustrações e tristezas por aqueles últimos momentos. Pedro, fiel à Jesus, em muitos momentos, teve arroubos emocionados, o que não o impedia de precisar ser chamado de volta à realidade. Pois foi exatamente ele que traiu o mestre: a frase “não conheço este homem” foi repetida três vezes em uma longa noite de vigília.

O homem tosco da beira do Mar da Galiléia já mostrava a sensibilidade para ser quem dirigiria o cristianismo nascente. Mas havia dores e marcas que o tempo e as suas novas vivências não conseguiriam apagar: em especial, o fato de ter negado Jesus, o galo cantar e, voltando-se, encontrar o olhar daquele que o convencera da nova missão com uma frase simples: “vinde a mim e eu vos farei pescadores de homens”.

Passados os eventos em Jerusalém, restava um grupo desnorteado. Era preciso fazer alguma coisa. Pedro é prático: “vou pescar”. Precisava do silêncio das águas e da largueza de seus horizontes. Enquanto a lida com o barco, as redes, organização de seus homens e o recolhimento do pescado ocupavam seu tempo, seu pensamento fazia o percurso de três anos intensos na companhia de Jesus. Não havia mais como ser o mesmo.

No final da tarde, sentado nas areias que conhecia tão bem, pensou em voltar para a vida simples entre a pesca, amigos e família. Mas a lembrança do Galileu o incomodava: depois do primeiro contato, todo o seu mundo se transformara. Crescera com a certeza de que Javé era Deus e era um deus terrível! Mas Jesus mostrou que não era bem assim, até o chamava de “paizinho”. Repetiu a palavra: “paizinho”, soava tão bem, era mais agradável do que tratar com um deus vingativo! Um ciclone chamado Jesus passara em sua vida e nada mais seria como antes.

Ainda não se falava em cristianismo (chamavam de Seita do Caminho), tendo Pedro como pastor e Paulo como grande estrategista. Mas já se sabia que Pedro aprendera as lições básicas: não era apenas reunir aqueles que se dispersaram. O norte, agora, estava na missão: “ide e fazei discípulos de todas as nações”. Não havia mais o que pensar. O mundo era a sua estrada. E era longa! A eternidade seria a sua recompensa.

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Manoel Jesus

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