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2016-02-01 O tempo do Miguel

Miguel é meu 13º sobrinho-neto. Nasceu e vive hoje em Caxias com seus pais. Na semana passada, fui até lá para curtir um final de semana na Serra e, na segunda-feira, retornar com minha sobrinha e o moço que tem agora três meses. Fiz um intensivo de como cuidar de um recém-nascido, com direito a arrotar depois da mamada; ter minhas camisetas batizadas pelo vômito do que foi descartado; e a “candura” de fazer dormir aquele pequeno ser que, aconchegado em meus braços, pedia apenas que o cuidasse.

Vendo minha sobrinha Daniele lembrei da imagem veiculada nas redes sociais pela jornalista Maíra, também mãe recente: olhos fundos, quase bêbados de cansaço, mas com uma luz fulgurante de encantamento: ser mãe mistura momentos difíceis com ternura e faz da vida uma dedicação exclusiva ao pequeno que, no futuro, nem vai lembrar o que os pais passaram. Mas não importa, os pais lembrarão o que fizeram por seus filhos. E isto vai ser suficiente para saber que valeu a pena cada um dos sacrifícios!

Fui um tio reserva. Passei muito tempo com ele no colo. Conversamos - com o Miguel, é lógico. Passeamos pela cidade. Fiz dormir, de barriguinha contra meu braço, que era o jeito de aliviar as cólicas. Depois da segunda vez que isto aconteceu, passei a ser chamado de “tio camomila”. Quando diziam que estavam abusando do meu tempo de descanso (aposentado também descansa), parodiei a famosa frase: “não basta ser tio [o original é pai], tem que participar”.

Juntando tudo, fiquei pensando como é bom chegar aos 61 anos e continuar aprendendo. A respeito de solidariedade, aprendi muito na teoria. Mas a vida tinha caminhos muito estranhos para que eu aprendesse na prática: grande parte dos conceitos precisou ser revisto quando, para além das palavras, o importante é alcançar uma medicação no horário certo; não enrolar o estômago quando se ajuda a trocar uma fralda pela manhã; baixar a voz quando a vontade é gritar; saber que cuidar não é apenas o tempo de uma visita, mas o quanto se gasta para conviver com alguém; e respirar fundo para melhorar o autocontrole, quando a situação está em risco.

A criança precisa sentir que aquele momento é dela, podendo sorrir ou chorar, balbuciar ou arrotar, jogar as mãos em todas as direções ou apenas gemer no sono dos justos. Nesta escola, somos educadores e educandos aprendendo com as mães: depois da maternidade, não é o melhor momento para pedir que participem de concurso de maquiagem. Mas, se o quesito for capacidade de superação, olheiras profundas, jeito cansado e fora de peso, estes não são fatores de menosprezo: todas elas transformam-se em leoas para ver o seu filho feliz!

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Manoel Jesus

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