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2015-11-16 A palavra: entre o silêncio e o fazer

Em tempos em que a coerência do discurso anda longe de ser correta (vide o deputado Eduardo Cunha e o seu sofisma entre ter dinheiro e usufruir do dinheiro que entregou para alguém administrar), pode-se fazer uma varredura e encontrar problemas nas fontes mais diferenciadas: políticos, homens públicos, educadores, religiosos... Saint-Exupéry foi pontual ao dizer no seu Pequeno Príncipe que "a linguagem é uma fonte de mal entendidos". Verdade. Mas que, na maior parte das vezes, acontecem porque não policiamos as palavras e a relação que elas têm com as pessoas que vão ouvir.

Uma conhecida, seguidamente, dizia ser humilde. Disse tantas vezes que acabei irritado. Um dia, ao repetir mais uma vez, a cortei: "uma pessoa que se diz humilde é porque não é humilde. É arrogante". Depois do choque, tive que explicar: humildade é qualidade que não é a própria pessoa que se auto intitula, mas, sim, que outros reconhecem como um valor e atribuem quando julgam necessário.

Assim é com a palavra "simples". Comum entre aqueles que falam a diversos públicos, em diversos níveis de conhecimento. Flagrei um "político", mas poderia ser de qualquer uma das categorias citadas: quando é mais humilde, tem-se o costume de registrar que se vai falar de forma "simples" para se fazer entender. O mesmo não se dá quando se fala a uma plateia mais sofisticada. Taxar de "simples" o que se vai dizer a um grupo é colocar uma faixa de ignorância! Esquecer que, hoje, mesmo nas reuniões mais periféricas, muitos fizeram ou fazem curso superior e flagram a "intenção" de quem discursa e as falhas de argumentação.

Entre os antigos era comum o aprendizado da retórica, "a arte do convencimento": a pretensão não era a de passar fatos, verdades, mas fazer com que a audiência tomasse para si a posição proposta. Isto foi e é usado na prática do direito. E foi deturpado na arte de fazer política partidária e representativa.

Ainda se tem na memória políticos e pregadores gritando em cima de palcos ou carrocerias de caminhões. Era um convencimento à força. O passar do tempo, sem exemplos que solidificassem as mensagens, fez com que muitos desacreditassem. Em meio a gritos e palavras, pelos mais diversos meios, o reencontro com a coerência tem uma receita: silenciar. O momento mágico do reencontro consigo, dos sentidos, em que se separa quem apenas diz daqueles que dão exemplo de vida.

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Manoel Jesus

Educador

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