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2015-09-21 Sirvam nossas façanhas...

Revolução Farroupilha - 20 de setembro - um marco da história do Estado e da sua tradição. Em tempos bicudos, infelizmente, a lembrança dos "farrapos" pode ter duplo sentido e, mesmo que se perdoe o trocadilho infame, servir para juntar o que restou do orgulho ferido, diante dos problemas econômicos, sociais e políticos. Aqui sofremos de um problema de bipolaridade: chimango ou maragato, colorado ou gremista, xavante ou aureo-cerúleo... e outros confrontos que nos pareciam tão distintos.

Só que, enquanto afiávamos a faca e reforçávamos nosso arsenal, raposas da política e da economia nos passaram a perna e deixaram do jeito que ficou: motivo de deboche, indicado como exemplo de como não se conduz a administração de um Estado! Inocência pensar que os problemas aconteceram somente em nível de paroquial. Uma das soluções passa pelo desmonte da máquina pública da forma ardilosa como foi montada. Muitos benefícios dados a políticos em cargos públicos, assim como a funcionários do Estado, são legais, mas imorais. A máquina é autofágica: se alimenta de si própria e vai parar, porque não há mais o que fazer, a não ser alimentar a própria máquina!

Não é somente por ser "gaúcho" - do jeito que se vendeu esta figura destemida e aguerrida - que faz sentido nossa identidade cultural. É mais ampla e se deve ao cadinho onde reunimos homens e mulheres vindos dos povos indígenas, africanos, europeus, asiáticos. Foi com este diferencial que no século passado chegamos ao desenvolvimento dos três estados do Sul. Infelizmente, fomos picados pelo mesmo mal que assola o território brasileiro: a desconstrução das relações básicas e esquecimento de nossas origens de homens e mulheres trabalhadores. Ao ponto de que, hoje, ouvimos relato de pessoas que hostilizam quem chega corrido pela miséria de seus países. Não seria o caso de lembrar que também chegamos a esta terra e que deveríamos devolvê-la aos índios?

Na semana passada, a Alemanha - que sonhou com uma raça pura e o Reich dos mil anos - abriu os braços para a migração da Síria. É a demonstração de abertura de um país que tem uma dívida para com a História quando perseguiu judeus, ciganos e homossexuais durante a 2ª Guerra Mundial. Entendeu a lição que a vida lhe deu e reconhece que, hoje, pode fazer muito para auxiliar a resolver este problema. Esta humildade é um pouco do que estamos precisando. Ser gaúcho é, de fato, ouvir nosso hino, canções, ver homens e mulheres desfilando dispostos a mostrar que amam o solo onde pisam. Mas é mais: ouvir o sussurrar das matas que não existem mais; o Minuano que traz o grito de índios que já não andam pelas coxilhas; o balbuciar das orações que mulheres e homens faziam ao atravessar o Atlântico em busca de um pedaço de terra para produzir e comer; o ruído das carroças que os mercadores colocavam nas estradas.

Podemos estar em "farrapos", mas não alquebrados. Sempre nos consideramos "altivos" e os demais estados do Brasil nos consideravam "petulantes". Era o mesmo com a Alemanha. Precisamos rever nossos conceitos e entender que se nossas façanhas não forem "cantadas a toda a terra", ainda assim podemos ensinar a nossos filhos coisas básicas: serem honestos, respeitadores e trabalhadores. Em cima destes três pilares podemos não ter muito que gritar aos quatro ventos, mas temos tudo para recuperar a dignidade que se esvai quando discute educação, segurança, transporte, saúde...

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Manoel Jesus

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