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2013-09-23 Literatura: as marcas que o tempo não apaga

Dona Francinha devia estar próxima dos seus 15 anos. Corria o ano de 1940. No interior de Canguçu, estava chegando à terceira série primária, já tendo sido alfabetizada e sabendo todas as operações de matemática. Mas a família tinha um motivo especial para se orgulhar. Seguidamente, os familiares que chegavam à casa queriam que ela tomasse um livro - "Orgulho Quebrado" - e fizesse um milagre para aquelas pessoas quase todas semianalfabetas: embebedá-los com as descrições feitas por Florisbello Barcellos, que classificou seu romance como "pela força do amor e do destino, um emocionante romance em nove partes".

Depois de ela ter me falado diversas vezes a respeito, resolvi pesquisar e encontrei informações sobre o autor, que era de Capão do Leão, e publicou sua obra em Pelotas, em 1938. Comecei, assim, a realizar outro sonho de dona Francinha: a busca pelos textos que, em alguns casos, sabia de cor, já que sua memória é perfeita, tanto a recente quanto aquela em que evoca passagens de sua infância e juventude.

O pequeno livro conta a história de Henrique Salcedo, estampa do gaúcho cordial, bonachão, que se antepõe diante da invasão de valores novos e estranhos que vêm da cidade para o campo. Pois naqueles rincões, onde informações eram preciosidades que somente chegavam pelos cacheiros viajantes ou por aqueles que se deslocavam para as grandes cidades, eles sentiam na pele que o século XX estava trazendo mudanças que não conseguiam entender, mas das quais não podiam fugir.

Os textos lidos por aquela menina diziam exatamente isto: os valores do colono trabalhador da roça e o homem da cidade, aos poucos, seriam assimilados. Restaria o que temos hoje, entre os mais velhos, quando nasceram no interior, viveram uma vida inteira na cidade na busca por qualidade de vida e condições de criar seus filhos. Mas chega o momento em que "bate a saudade do infinito", no dizer do padre Zezinho, e as coisas simples da terra falam mais alto.

Minha mãe não continuou seus estudos. Era preciso cuidar dos irmãos e ajudar nas lides da roça. Mas guardou com carinho sua grande relação com a literatura: pequenos textos, balbuciados à luz de um lampião, criaram as marcas que ainda hoje deixam naqueles que se enamoram pelas letras - abrem horizontes, revelam mundos, marcam uma vida de uma forma que nem o passar do tempo é capaz de apagar.

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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