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2013-04-05 Os gargalos de uma “nação do futuro”

No mesmo dia, recebo duas notícias interessantes: por um programa agrícola na televisão, da Argentina, um sistema de irrigação controlado pelo governo, que aproveita não a água das chuvas – pois são poucas, mas a que derrete dos Andes e alimenta sistemas que produzem de tudo, com um uso sistemático e ordenado.  Por outro lado, a volta de meu cunhado Roberto e sobrinho Renan, depois de estarem dois meses transportando as safras do interior de Goiás, encantados pela capacidade de produção que já nos tirou, há um bom tempo, o título de “celeiro do Brasil”.

Recentemente, passamos por estiagens na região de produção – especialmente no Cento e Oeste do Estado – e as promessas foram repetidas: a solução está em programas de irrigação que permitam o plantio e a colheita com qualquer tempo! Não é difícil recorrer aos jornais e ver que elas já foram feitas há dois anos, cinco anos, dez anos...  E, de resultados práticos, absolutamente nada. Enquanto isto, na Argentina, aqueles que controlam e fiscalizam o uso alternado das comportas entre os produtores agrícolas dizem que estão na atividade há duas, três décadas e que este já é um trabalho tradicional na família, passando de geração em geração.

Meu sobrinho veio impressionado com o ciclo de chuvas: trabalhavam ao longo de todo o dia e, à noite, a natureza se encarregava da sua parte, num imenso sistema de irrigação, que fazia com que as plantas, no dia seguinte, estivessem prontas para a colheita, viçosas e na certeza de que o resultado, na lavoura, seria muito bom.

Pois é aí que começa o nosso problema: hoje já há um deslocamento sistemático de caminhoneiros que iniciam com as safras do centro-oeste, depois vão descendo, passando por Paraná, Santa Catarina, até chegar ao Rio Grande do Sul e a imagem que vemos é a de que falta estrada para tanto caminhão. Além de estradas, falta uma logística adequada que permita o escoamento em curto espaço de tempo, não permitindo o cancelamento de compras vultosas, como já aconteceu recentemente.

Infelizmente, começando pela presidente Dilma, passando pelo governador Tarso e por políticos de todos os partidos, há muita bravata e pouca ação: dizer que a duplicação de estradas e os novos projetos ferroviários, marítimos e aéreos solucionam é uma parte da resposta. Atrasada, como sempre. O que o governo deixou de fazer nos últimos tempos pode nos dar uma grande produção no campo, sem que isto se transforme em riqueza e alimento para a população. Como alguém, sabiamente, sentenciou: “somos, eternamente, a nação do futuro”...

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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