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2018-03-02 Um detalhe chamado “viver”

Os cabelos foram se espalhando pelo chão. Alguns bem cuidados, outros nem tanto, emolduravam rostos jovens decididos a entrar na luta contra o câncer. O mais interessante é que os “cabeleireiros” eram crianças com a doença e quem perdeu as melenas foram garotos e garotas que participavam de um trote, pois ingressaram na Faculdade de Medicina e queriam humanizar a sua futura área de atuação.

Via-se pelos pequenos rostos que o esforço era grande. Mas a provocação do fotógrafo os encheu de coragem. Também vítimas de câncer, serviram de modelo numa campanha onde encarnariam super-heróis da Liga da Justiça. A felicidade quando viam os pôsteres não estava nas palavras, mas no olhar, nas lágrimas e nos pulinhos com que encaravam os personagens preferidos com o seu rosto!

A mulher que iniciou a quimioterapia deixou de se reunir com amigas com as quais conviveu desde a adolescência. Tinha dificuldades de aceitar a queda do cabelo. Foi convidada para um encontro, relutou, mas acabou convencida. Cerca de 20 delas estavam presentes... Todas com o cabelo raspado... Portando uma bandana que caiu quando do demorado e carinhoso abraço que selou a cumplicidade pela vida.

Os meninos da medicina, o fotógrafo, as amigas que partilharam de um instante difícil e dolorido ajudaram a reencontrar um sentido para a luta pela saúde. Fazendo-se presença na vida de pessoas fragilizadas pela dor e a incerteza, propuseram-se - talvez sem ter muito claro o jeito - ser arrimo em momentos difíceis para que não sintam mais uma dor que acompanha a doença: a da solidão.

“Humanizar a Medicina” foi o que se propuseram os estudantes e, durante uma tarde, brincaram fazendo o mesmo que as crianças já tinham sentido na pele: abrir mão da vaidade de arrumar o próprio cabelo. O pequeno super-herói que se extasiou diante do quadro em que sua foto lhe dava superpoderes também entendeu que a família, os médicos, enfermeiros e fotógrafos estavam a seu lado para que buscasse dentro de si a força necessária para não desistir.

Não importa a idade em que se encontra o paciente. Não importa o estágio em que se encontra a doença. Não importa se o desespero e a tristeza levaram alguém ao fundo do poço. Importa não estar só. Importa compartilhar de um sentimento que exige fé e compreensão, pois a morte assusta se perdemos a razão de existir.

Morrer é somente mais uma etapa quando viver passou a ser o sentido de cada ato, cada pensamento, cada sentimento que humanizam relações e nos transformam em super-heróis do dia a dia. Fazem com que ter ou não ter cabelo não seja o mais importante - insignificante, até - se houver um outro que dê motivo para manter um olhar fixo na solidariedade e na esperança. Um pequeno detalhe chamado “viver”!

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Manoel Jesus

Educador

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