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Versão do Fato

2017-07-24 Siga o seu coração...

Programa de auditório no domingo pela manhã: a menina convidada para dançar também receberia, no palco, a mãe que a abandonara e desejava - diante das câmaras e audiência nacional - pedir perdão e refazer a relação cortada quando dera a luz ainda jovem, e manter a filha seria um estorvo para seu mais recente caso amoroso.

Como dizem os planejadores, a impressão é que faltou combinar com os russos. A cena não transcorreu sendo tudo flores e aromas agradáveis, A impressão é que muitos ainda eram os espinhos entre as folhas da roseira. A cena que poderia ser emocionante transformou-se, apenas, em representação teatral de péssima categoria.

A busca por audiência leva os sentimentos mais íntimos a serem transformados em espetáculos, não bastando apenas o reencontro entre dois seres já machucados pela vida, mas a transformação em representação teatral, com um olho no palco e o outro nos índices de audiência auferidos em tempo real.

Até consigo entender porque as pessoas se predispõem a fazer tal encenação. Afinal, o encantamento dos meios de comunicação - em especial a televisão - consegue fazer as pessoas mais simples acreditarem que estão tendo seus 15 minutos de fama e, para isto, qualquer coisa vale a pena.

Tristemente, se desnudam diante das câmaras, nos seus sentimentos mais íntimos, como é dar e receber perdão. O caminho da separação, quase sempre, é doloroso. Carrega ressentimentos, incompreensões, feridas possíveis de serem curadas, mas deixando marcas em cicatrizes que mesmo o tempo é incapaz de apagar.

Num filme de final da tarde, o jovem personagem que ia para a faculdade conta para a mãe que magoou a namorada e, agora, tem medo que não o espere. Mas que a ama. A mãe diz que ele tem ainda muito pela frente. Mas que, por toda a vida, o sofrimento que deixou numa pessoa pode até ser perdoado, mas não esquecido.

E completou: “procure por ela quando puder olhar sinceramente nos seus olhos e apenas siga o seu coração”. Transformar sentimentos em comédia é o oposto. Há tempos em que nos mantermos afastados das pessoas pode ser um jeito de redescobrir o quanto são importantes.

No fundo, no fundo, a gente descobre mais com os silêncios do que com longas conversas. Quem não for capaz de compartilhar uma ausência, com certeza, não consegue dar valor a um perdão obtido na intimidade do reencontro - “quem nunca errou que atire a primeira pedra!” - onde apenas um olhar pede o direito de voltar!

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Manoel Jesus

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