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Caderno Especial 80ª Expofeira de Arroio Grande 2018 2018/11

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2018-11-16 O silêncio da Eternidade

Estávamos aguardando o jantar. Uma amiga fez uma daquelas perguntas com o objetivo de envolver uma pessoa mais velha na conversa. Olhar brincalhão e sorriso brejeiro disse o óbvio: que a resposta era do tipo em que é possível dizer qualquer coisa, mas que a interlocutora queria que afirmasse o que ela mesma pensava. Não era uma disputa intelectual, mas o espírito provocativo de duas pessoas amigas.

Quando dou almoço para minha mãe, na cama - comida liquefeita - vez que outra ela me ignora solenemente. Parto para todas as chantagens: "mãe", "mãezinha", "minha querida"... até que preciso levantar a voz para que abra os olhos e a boca a fim de ingerir o alimento. A resposta vem, mas não sem antes retirar a mão do lado do rosto, colocar sobre os lábios e expressar um pedido de silêncio apenas com um "psiuuu!"

Atender no dia a dia a uma pessoa idosa é uma chance de aprendermos, mais cedo, a lidar com o silêncio. A necessidade de preencher todos os nossos espaços com ruídos vai, no passar dos anos, sendo aplacada pela serenidade de quem já viu muita vida passar e sabe que não consegue evitar o inevitável. No entanto, é capaz de aproveitar melhor as ocasiões de convívio sem nenhuma exigência.

Desejam ter alguém junto. Alcançar olhares prolongados sem ter uma agenda que não lhes interessa, mas como se já gravassem as cenas com as quais poderão fazer a última viagem em direção à Eternidade. Há algo de divino e de sagrado na forma como o tempo perde o sentido e, muitas vezes, apenas querem uma oportunidade para estar a sós, preenchida por histórias e ecos de suas lembranças.

É possível que já não gravem mais os rostos e os momentos da atualidade. Motivo que torna inconveniente as pessoas perguntarem ao idoso se ele as está reconhecendo. O tempo de saber quem é cada um dos que os cerca já passou. Agora desejam apenas usufruir de um sorriso, uma palavra de carinho ou um gesto envolvido no reconhecimento de que fazem parte indispensável de nossas histórias.

Se partimos do silêncio - onde está Deus - e para ele voltamos, torna-se óbvio o provérbio: "temos dois ouvidos e apenas um boca". Explicação para a necessidade de ouvir mais e falar menos. Mesmo as palavras cansadas, ditas sem pressa, necessitam de um estado de espírito disposto a exercitar a paciência. Atropelar um idoso que arrasta seus argumentos é pura maldade. Talvez já tenham vivido com pressa, mas seus próprios corpos vão fazendo valer suas limitações. O que precisa ser dito está muito mais nos seus silêncios e olhares. Algo que, depois da sua partida, nem mesmo a Eternidade é capaz de fazer com que a gente esqueça!

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Manoel Jesus

Educador

manoeljss@hotmail.com

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